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Rafael Nadal: "Voltar a ser número um não é a prioridade"


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Rafael Nadal: "Voltar a ser número um não é a prioridade"

Rafael Nadal é considerado um dos melhores tenistas do mundo. O maiorquino voltou às “courts” este ano, depois de uma lesão no joelho que o manteve afastado durante quase oito meses. Depois das vitórias em Indian Wells e Acapulco, chegou a vez da Europa.

Nadal espera ansiosamente pelo torneio de Roland Garros, dentro de cerca de um mês. É um torneio fetiche para Nadal, que triunfou por sete vezes na terra batida parisiense.

Até lá, vai vivendo o dia-a-dia, sempre com a ambição de voltar ao primeiro lugar da classificação ATP e com vontade de fazer história no ténis. A euronews encontrou-o no torneio de Monte Carlo.

David Martín Gutiérrez, euronews:

Temos connosco um dos desportistas mais importantes do panorama internacional. Rafa Nadal, bem-vindo à euronews. A primeira pergunta é obrigatória: como está o joelho?

Rafael Nadal:

Está bem, vou melhorando. Parece que a cada semana que passa está melhor. Espero continuar nesta linha positiva, continuar a melhorar e a competir.

euronews:

Não é muito habitual regressar depois de tanto tempo lesionado e dessa forma, com esse ritmo de competição, vencendo esses torneios. Qual a chave para esse regresso?

Rafael Nadal:

Na verdade, nem sei. Só posso dizer que as coisas estão a correr muito bem. É verdade que nos primeiros torneios, apesar de ter tido muito bons resultados… Vamos ser sinceros, não joguei nada bem.

A partir de Acapulco comecei a jogar a um nível muito alto, o joelho ficou melhor e comecei a vencer encontros que nunca imaginava poder ganhar num espaço de tempo tão curto.

euronews:

Então, o seu primeiro grande triunfo da temporada foi voltar a competir…

Rafael Nadal:

Mais do que voltar a competir, o maior triunfo é que o joelho recupere a 100%. É a vitória que espero, a longo prazo. Ao fim e ao cabo, as vitórias a longo prazo são sempre mais satisfatórias que as outras e o primeiro passo para voltar a essa situação é voltar a competir. Já se conseguiu e parece que, à medida que as semanas passam, a situação melhora.

euronews:

Não sei se o aconselharam a mudar a forma de jogar depois desta lesão. Vai mudar alguma coisa?

Rafael Nadal:

A verdade é que, infelizmente, não sou tão assim tão bom que possa mudar a maneira de jogar sempre que quero.

A maneira de jogar, cada um tem a que tem e á algo que se pode melhorar de ano para ano. É o que fiz ao longo de toda a carreira e penso que melhorei. Consegui jogar de forma mais agressiva, desde que comecei até agora, mas daí a conseguir uma mudança drástica na forma de jogar… Penso que até agora ninguém conseguiu isso.

euronews:

Antes da lesão, estava em forma. Pensa poder alcançar de novo esse nível?

Rafael Nadal:

É esse o objetivo. Se o joelho me permitir, não será por falta de trabalho nem de esperança, vou tentar o tudo por tudo. Também não acho que em sete meses e meio me tenha esquecido de como se joga ténis.

Desde que regressei, consegui jogar a um muito bom nível, para voltar a ter confiança ao nível do jogo e do ritmo, que tive de deixar no ano passado depois de Roland Garros. Isso não é fácil, é algo que vem com o trabalho. Os objetivos e os grandes objetivos só se conseguem depois de trabalhar, deopis de lutar, depois de nos superarmos a nós próprios. Quando alguém consegue isso, fica feliz.

euronews

A que distância pensa estar dos primeiros da classificação: :
Djoković, Federer e Murray?

Rafael Nadal:

Não sei a que distância nos podemos referir. Se é em termos de pontos, eu sei qual é. Mas em termos de nível, não sei. Não sei a que nível estou, só sei que em Indian Wells estive em boa forma para competir com eles. Vamos ver se nas próximas semanas continuo a um nível bom para competir com estes jogadores, que são os melhores do mundo.

euronews:

É possível, a médio prazo, recuperar o lugar de número um mundial?

Rafael Nadal:

Não sei, são coisas que não posso saber. Só sei que neste momento estou em Monte Carlo e estou feliz por poder voltar a competir.

O meu objectivo é poder competir durante todo o ano em boas condições. Se assim for, vamos ver se para o ano vou poder voltar a ser número um ou não. Penso que isso, nesta altura da carreira, não deve ser uma prioridade.

euronews:

Monte Carlo, Barcelona, Roma, Madrid. Mas Roland Garros é o objetivo deste ano?

Rafael Nadal:

Para já, o objetivo é Monte Carlo. Se conseguir jogar bem, independentemente do resultado, o objetivo seguinte será jogar bem em Barcelona.

euronews:

Já disse, mais de uma vez, que uma das coisas que lhe doeram mais, além dos problemas físicos, foi ter ficado de fora dos Jogos Olímpicos, onde ainda por cima iria ser porta-estandarte. Acredita que pode transportar a bandeira de Espanha nos jogos do Rio de Janeiro?

Rafael Nadal:

Esse é o objetivo a longo prazo, sem dúvida – ir aos próximos jogos olímpicos. Não sei se vou ter a oportunidade de levar a bandeira, como era suposto ter feito em 2012. Era um grande sonho. Não pôde ser. Espero poder estar no Rio de Janeiro e claro que adoraria ser o porta-estandarte. Mas há muitos outros excelentes desportistas espanhóis que o podem fazer também.

euronews:

Foi, salvo erro, o terceiro ano consecutivo em que o público o elegeu como o espanhol com quem mais gostaria de tomar umas cervejas. Pelo menos, o carinho das pessoas não perdeu…

Rafael Nadal:

Com moderação, é com gosto que irei tomar uns copos com todos. Estou muito agradecido pelo apoio dos fãs que estou sempre a receber. Nestes sete meses em que estive sem competir, isso foi mais importante que nunca.

Desde que regressei, sentir todo o apoio que estou a receber dos fãs de todo o mundo, sobretudo de Espanha, é um motivo de satisfação e de alegria. Todo este apoio dá-me muita energia para continuar a luta e continuar onde estou.

euronews:

Tem consciência de que, se for tomar umas cervejas com um espanhol de classe média, vai ter que pagar a rodada, porque a situação não está lá muito boa… Como é que um desportista de elite vê a atual situação económica de Espanha?

Rafael Nadal:

Com tristeza, evidentemente. Ver tanta gente a passar dificuldades nunca é agradável. Afeta-nos a todos, de forma direta ou indireta. Nunca me afasto da realidade do mundo, neste caso, da realidade das pessoas próximas de mim, dos espanhóis. Nestes últimos anos, houve momentos muito complicados para muita gente. Desde aqui, só posso mandar-lhes o meu apoio. Espero que, com o esforço de todos, o trabalho diário e o sonho de sair deste túnel em que entrámos nos últimos anos, possamos conseguir sair e voltar a ver a luz, em breve. Estou convencido que vai ser assim, porque a Espanha é um grande país.

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