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Estados Unidos podem atacar a Síria?

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Estados Unidos podem atacar a Síria?

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Pergunta de Damien, de Paris :

“A Síria passou dos limites? Já foram utilizadas armas químicas contra os rebeldes? É viável conceber uma intervenção militar dos Estados Unidos?”

Resposta de Fabrice Balanche, da Universidade Lyon 2 e do Grupo de Estudos do Mediterrâneo e do Médio Oriente da Maison de l’Orient:

Efetivamente, em dezembro de 2012, o regime sírio terá utilizado gás contra um bastião rebelde em Homs. Mas não temos provas de que isso tenha acontecido. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha afirmam que estão na posse desses indícios, que comprovam a utilização de armas químicas pelo governo sírio. No entanto, recordamo-nos de que apresentaram o mesmo pretexto para invadir o Iraque em 2003. É, por isso, difícil confiar no que dizem, sobretudo porque após a intervenção no Iraque, toda a gente fez o seu mea culpa.

Segundo os últimos dados, são os rebeldes que recorrem a armas químicas contra as forças do regime. No passado dia 5 de maio, Carla del Ponte, membro da Comissão da ONU, independente, declarou ter testemunhos sobre o uso destas armas pelos rebeldes contra o exército sírio, não pelo governo, dando o exemplo de Alepo, em março. Mas, como não há provas oficiais, é preciso encarar estas informações com precaução.

Os Estados Unidos necessitariam do aval da ONU para uma intervenção, mas era preciso que russos e chineses levantassem o veto. Também o podem fazer de forma unilateral, como aconteceu no Iraque, em 2003, mas isso poderia provocar uma grave crise a nível internacional.

Mas será que os Estados Unidos pretendem realmente intervir na Síria? O Médio Oriente não é uma prioridade para Barack Obama, ao contrário da Ásia. No entanto, existem dois fatores cruciais na região para os americanos: defender os hidrocarburetos do Golfo e defender Israel. Se o conflito sírio colocar em causa a segurança de Israel, aí os Estados Unidos podem mesmo intervir. De que forma? Através de raides aéreos, mais do que com tropas no terreno. Seria o suficiente para derrubar o regime sírio? Essa é a questão. Aliás, os raides israelitas sobre a região de Damasco, no dia 5 de maio, já podem ser considerados como uma ofensiva israelo-americana contra o regime sírio.

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