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Portugal: Joaquim Pais Jorge não resistiu ao "lado podre da política"

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Portugal: Joaquim Pais Jorge não resistiu ao "lado podre da política"

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A polémica dos “swaps” fez cair secretário de Estado do Tesouro em Portugal, naquela que é a primeira baixa do Executivo do PSD-CDS/PP após a recente remodelação do Governo. Joaquim Pais Jorge esteve em funções pouco mais de um mês. O governante apresentou a demissão na quarta-feira de manhã, alegando não ter “grande tolerância para a baixeza” com que foi tratado nos últimos dias.

Em causa, a polémica da sua participação na proposta de “swaps” ao Governo de José Sócrates, para baixar artificialmente o défice. Recorde-se que as dúvidas sobre contratos de alto risco já tinham ensombrado a promoção de Maria Luís Albuquerque a Ministra das Finanças, depois de Vítor Gaspar ter cedido o cargo. Por sua vez, o sucessor de Maria Luís Albuquerque na Secretaria de Estado do Tesouro não aguentou mais de um mês no cargo.

Na secção do ministério das Finanças do Portal do Governo pode ler-se parte da justificação do governante demissionário, que garante que houve um documento falseado no processo. “A minha disponibilidade para servir o País sempre foi total. Não tenho, no entanto, grande tolerância para a baixeza que foi evidenciada”, escreve. De acordo com a agência Lusa, o Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa vai abrir um inquérito para investigar eventual “ilícito criminal” na alegada manipulação do documento.

Ainda segundo a agência de notícias portuguesa, Joaquim Pais Jorge apontou, ainda, o dedo ao “lado podre da política”: “Foram exploradas e distorcidas declarações que fiz sempre de boa-fé. É este lado podre da política, de que os portugueses tantas vezes se queixam, que expulsa aqueles que querem colocar o seu saber e a sua experiência ao serviço do país”. Por outro lado, Pais Jorge admitiu ceder o lugar para não permitir que controvérsias criadas sobre o seu percurso profissional “possam ser usadas como arma de arremesso político contra o Governo”.

As reações não tardaram. O ministro da Economia, António Pires de Lima, garantiu que “a estabilidade política está garantida e assegurada até outubro de 2015”. Já o PS qualificou de “tardia” mas “inevitável” esta demissão. Citado pela Lusa, o secretário nacional do PS, João Ribeiro, convidou o primeiro-ministro a pronunciar-se sobre a confiança na equipa das Finanças. Já o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, afirmou que a demissão de Joaquim Pais Jorge não dispensa a demissão da ministra das Finanças por tê-lo nomeado e por estar “envolvida numa série de trapalhadas e mentiras”. No “site” do PCP, pode ler-se a reação de Jorge Cordeiro, membro do Secretariado e da Comissão Política do partido, que denuncia “a promiscuidade entre o poder político e o poder económico, o tráfico de influências e os prejuízos para o país que daí decorrem”.

Fotografia retirada do portal do Governo de Portugal