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Eleições intercalares dos EUA

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Eleições intercalares dos EUA

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Em 2014, os americanos vão mudar para o modo campanha novamente. As eleições intercalares do Congresso, a 4 de novembro, têm o potencial de agitar de forma dramática o cenário político dos próximos dois anos. E determinar, assim, a agenda e o legado de um homem, cujo nome não está no escrutínio, mas cujo crédito político está totalmente em causa: o presidente dos EUA, Barack Obama.

Obama, que não pode ser reeleito em 2016, estará a meio caminho do segundo e último mandato em novembro próximo. Os americanos descrevem-no como: presidente pato manco. Os antecessores de Obama, Ronald Reagan, Bill Clinton e George W. Bush descobriram que os dois últimos anos de mandato podem transformar-se numa experiência angustiante, dada a sua capacidade de fazer as coisas desgastarem-se firmemente. Se Obama vai ou não passar pelo mesmo calvário político constitucionalmente criado, ainda é muito cedo para se dizer. Mas, dado o estado disfuncional em que se encontra o Congresso, o poder legislativo do governo federal, é possível que Obama não seja exceção – e pode facilmente ser pior para a Casa Branca.

Tudo depende do resultado das eleições de novembro, quando toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado forem a eleições. Se o Partido Democrata de Obama conseguir controlar o Senado e ganhar, ainda, alguns lugares na Câmara dos Representantes (uma maioria democrata parece estar, por agora, fora do alcance), pode não parecer muito mal para a agenda do presidente.

Se, por outro lado, os Republicanos recuperarem o Senado e mantiverem maioria na Câmara dos Representantes, os dias de Obama enquanto político relevante em Washington vão definitivamente ficar contados. Contra uma oposição Republicana sólida nas duas câmaras, repletas de deputados de extrema-direita que odeiam Obama e cujo único prazer na vida parece ser destruir a sua agenda política, o presidente poderia muito bem jogar golfe todos os dias… Muitas das ambições legislativas de Obama são anátemas para os Conservadores: a lei de saúde que os Republicanos continuam a tentar sabotar, um salário mínimo mais elevado, a extensão dos benefícios dos desempregados, a legalização do casamento homossexual, reformas de imigração, um controlo de armas mais duro, entre outros.

Eis o que se encontra em jogo: Em 2014, todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 lugares do Senado vão a eleições. Desses 35 lugares do Senado, 20 estão de momento ocupados por Democratas e 13 por Republicanos. Adicionalmente, duas eleições especiais terão lugar para ocupar as vagas ocorridas durante o 113º Congresso (Havai e Carolina do Sul).

O que parece estar em desvantagem para os Democratas e Obama é que entre os cinco senadores Democratas Populares que anunciaram não se candidatar, três são dos chamados “Red States” (“Estados Vermelhos”), estados conservadores que Obama perdeu em 2012: Jay Rockfeller (Virgínia Ocidental), Max Baucus (Montana) e Tim Johnson (Dakota do Sul). Os dois restantes, Carl Levin e Tom Harkin, vêm dos “Blue States” (Estados Azuis), simpatizantes dos Democratas, mas as vitórias dos partidos não está assegurada: Michigan e Iowa. Além disso, vários outros senadores Democratas, tendo que defender os seus lugares nos “estados vermelhos”, terão que lidar com as consequências da controversa lei de saúde, “Obamacare”. A liderança Republicana já anunciou que os candidatos do partido vão atacar vigorosamente democratas como os Senadores Kay Hagan (Carolina do Norte), Mark Begich (Alasca), Mark Pryor (Arcansas) e Mary Landrieu (Louisiana) por serem tão próximos de Obama. Se é uma receita capaz de garantir o sucesso, não se sabe ainda.

Por outro lado, há apenas algumas aberturas para os candidatos Democratas em estado vermelhos concorrerem contra Republicanos. Na Geórgia e no Kentucky, os Democratas recrutaram fortes candidatos com aptidões consideráveis de angariação de fundos, mas as vitórias Democratas continuam a ser consideradas improváveis. No geral, os Republicanos precisam de ganhar mais seis estados para conseguir a maioria no Senado, pela primeira desde 2006. Pode ser difícil de alcançar, mas não é totalmente utópico.

A eleição para a Câmara dos Representantes conta uma história diferente. Aqui, os republicanos têm uma maioria de 232 para 201, com dois lugares vagos. De acordo com analistas políticos, apenas 29 lugares são verdadeiramente competitivos, o que significa que poderiam ser tomados por qualquer partido. Os democratas precisam conquistar mais 17 lugares para se tornarem, novamente, o partido em maioria. Perderam esse estatuto em 2010 e desde então o presidente Obama está ainda a pagar o preço político por essa derrota.

O consenso geral entre os especialistas é que os Republicanos vão continuar a manter a maioria na Câmara, o que certamente irá solidificar o impasse partidário em Washington. Mas quem sabe? Os americanos têm uma propensão para a surpresa – e o atual Congresso está a sofrer os mais baixos índices de aprovação de sempre na história dos EUA e entre todas as instituições públicas…