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Airbus torna-se número um das vendas

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Airbus torna-se número um das vendas

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A construtora aeronáutica europeia Airbus tornou-se a número um mundial de vendas. A empresa registou um número recorde de encomendas no ano passado: 1 619 aviões novos, num ano em que a Boeing lançou dois aparelhos.

Depois dos ajustes para cancelamentos, as encomendas líquidas da Airbus cresceram 80 por cento em relação ao ano anterior, para 1503 aparelhos.

A Boeing registou apenas 1355 encomendas líquidas, mas conseguiu o recorde de 648 entregas. A construtora europeia ficou atrás, apesar do recorde interno de 626.

A propósito destes números, o jornalista Didier Burnod entrevistou Fabrice Brégier, diretor executivo da Airbus.

Euronews: Quando fazemos o balanço do ano de 2013 para a Airbus, de que é que se orgulha mais? Do número histórico de encomendas ou do primeiro contrato assinado no Japão, um mercado até então reservado ao vosso principal concorrente: a Boeing?

Fabrice Brégier: Eu creio que estou mais orgulhoso do voo do A350, antes do Salão Le Bourget. Mas os dois acontecimentos que mencionou são extremamente importantes para o futuro da Airbus.

E: A Boeing tinha um verdadeiro monopólio no Japão. Houve um esforço enorme da parte da Airbus para se implantar nesse mercado.

FB: Foi a primeira vez que, efectivamente, a Japan Airlines não comprou Boeing, mas Airbus e ainda por cima aviões de longo curso: 31 aparelhos. Portanto, efetivamente, isso teve imenso impacto.

E: No que respeita o número de encomendas de que falámos, o salão aeronáutico do Dubai teve um grande peso nos resultados, com enormes encomendas para a Airbus, como para a Boeing. Perante uma tamanha quantidade, devem ter feito descontos. Portanto, essas grandes encomendas não são perigosas para a margem de lucro e rentabilidade da Airbus?

F. B: Não, de todo, porque isso nos dá visibilidade. Isso permite-nos reduzir os custos. Claro que há descontos para essas grandes encomendas, mas isso contribui para a melhoria global da rentabilidade da Airbus e para o seu crescimento. Portanto, não há razões para inquietação. As encomendas que aceitámos, nomeadamente os 50 A380 da Emirates são encomendas rentáveis para as companhias aéreas, mas também para a Airbus.

E: O problema crucial quando se é confrontado com grandes encomendas, é o cumprimento dos calendários de entregas. Na cadeia de produção, quais são os fatores prioritários que
devem ser controlados?

F. B: É preciso controlar esses desenvolvimentos. É essencial para o A350, para a evolução do A320 e é preciso também trabalhar melhor com o conjunto daquilo a que chamamos a cadeia de abastecimento, ou seja, o conjunto dos nossos fornecedores. E no ano de 2013, fizemos enormes progressos: dividimos por dois o número de peças que chegou tarde ou que faltava. Isso permitiu-nos entregar mais 38 aviões, 626 no total, no ano de 2013, com muito menos solavancos do que no ano anterior. Portanto, as nossas ações começam a pagar os nossos parceiros exteriores.

E: Isso representa um enorme desafio em termos de ritmo de produção. Têm mais de 5 500 aparelhos no vosso livro de encomendas.

F. B: Sim, temos mais de 5 500 aparelhos, ou seja, mais de nove anos de produção ao ritmo atual e isso dá-nos uma oportunidade formidável: preparar o futuro, continuar a inovar, tentar ser mais competitivo num ambiente concorrencial extremamente difícil.

E: Para 2014 que deseja? A continuação ou o final dos contratempos do 787 da Boeing?

FB: Não, eu desejo sobretudo o sucesso da Airbus, a aceitação de encomendas ainda superiores às entregas e depois a entrega do primeiro A350 à Qatar Airways no último trimestre de 2014. Isso será a conclusão de sete anos de desenvolvimento, de esforços extenuantes e isso nos colocará na via de crescimento no segmento dos aviões de longo curso.