Última hora

Última hora

Heróis revolucionários da Era da Internet

Em leitura:

Heróis revolucionários da Era da Internet

Tamanho do texto Aa Aa

As redes sociais como o Twitter ou o Facebook são bons meios para disseminar o princípio da liberdade. Mas sem pessoas reais, capazes de dar a vida por causas reais, a mudança não seria possível.

“la vmiraiu”, “estou a morrer”, uma das mensagens que percorreu o mundo. Olesya Zhukovskaya publicou no Twitter com uma mão, enquanto com a outra pressionava o pescoço na tentativa de estancar o sangue que, insistentemente, saía da ferida provocada por uma bala e que a colocava em risco de vida.

Na passada quinta-feira, dia 20 de fevereiro de 2014, por volta das 10.45 hora de Kiev, uma bala atingiu o pescoço da paramédica voluntária de 21 anos, durante o protesto na praça da Independência. As imagens no Twitter mostram a jovem com o uniforme médico, a roupa manchada com o sangue que lhe corria do pescoço.

O Tweet da Olesya tornou-se viral em poucas horas, extinguira-se o sorriso jovem e radiante que mostrava momentos antes do tiro percorrer o mundo.

A sorte, porém, manteve-se do lado de Olesya que, operada de emergência, sobreviveu. Um novo Tweet anunciava: “la jiva”, “estou viva!”.

Um dia antes, a quilómetros de distância, do outro lado do oceano, Genesis Carmona não teve a mesma sorte. A estudante, de 22 anos, foi atingida por um tiro, na cabeça, durante os protestos antigovernamentais em Valencia, a terceira maior cidade da Venezuela.

De acordo com o administrador da página do Facebook de Carmona, a Miss Turismo da Venezuela foi morta “com um tiro na cabeça num ataque de grupos armadas do regime de Maduro”.

Na galeria do mundo de jovens heroínas, que lutam pela liberdade e por um governo incorrupto, Olesya Zhukovskaya e Genesis Carmona juntam-se a Neda Agha Soltan. No dia 20 de junho de 2009, durante os protestos que se seguiram à eleição de Ahmadinejad, em Teerão, a jovem de 26 anos foi baleada no coração. A família e amigos de Neda afirmam que a jovem iraniana foi assassinada pelas forças de segurança e pelas milícias “Basif”.

Neda morreu nas mãos do seu professor de música. No vídeo que regista o momento da sua morte pode ouvir-se o professor a gritar “Neda, não tenhas medo, não tenhas medo. Fica comigo, fica comigo!”

As últimas palavras da jovem, cujo rosto se transformou num ícone do movimento iraniano pró-democrático, foram “estou a arder, estou a arder”.

O vídeo da morte de Neda tornou-se viral, ganhando rapidamente a atenção dos media e espetadores internacionais. No final do dia, a hashtag #neda estava a ser usada por milhões de pessoas no Twitter. Estudiosos das redes sociais mencionavam um novo conceito: “Revolução Twitter”.

Cada geração de Heróis é recordada em Panteões cheios de estátuas de mármore. Não acredite que este é apenas feito de bites, bytes e pixels. A história da sede insaciável do homem pela liberdade não poderia ser reescrita, consecutivamente, sem o sangue real que mancha as calçadas de Kiev, Damasco, Aleppo, Caracas, Valência (Venezuela), Teerão, Cairo…