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Cimeira UE: Vizinhos da Rússia temem consequências da crise na Crimeia

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Cimeira UE: Vizinhos da Rússia temem consequências da crise na Crimeia

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Apenas duas semanas depois da cimeira extraordinária por causa da Ucrânia, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia volta a reunir-se.
Este é um encontro que já estava agendado mas o tema principal volta a ser a crise ucraniana e as sanções que podem ser aplicadas à Rússia.

No início da semana, os ministros dos negócios estrangeiros dos 28 reuniram-se e decidiram congelar as contas e os vistos de 21 políticos e militares da Rússia e da Crimeia.

Mas em Moscovo as sanções foram recebidas quase com indiferença: nada impediu Putin de declarar a Crimeia como parte da Rússia, depois de no referendo de domingo, o sim à anexação ter vencido.

Como as primeiras sanções não tiveram resultado, os líderes europeus já fizeram saber que agora podem assumir um carater mais duro: nos corredores de Bruxelas fala-se do cancelamento dos contratos do gás com alguns países europeus.

Os Estados-membros vizinhos da Rússia e da Ucrânia, sobretudo as ex-repúblicas soviéticas, estão mais preocupados com o crescente crispar das relações: temem que os movimentos russos não se fiquem pela Crimeia.
Sobre esta tensão, a euronews entrevistou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, Lina Linkevičius

James Franey, euronews:
“Pode explicar-nos como é que a história da Lituânia condiciona a sua visão desta crise?”

Lina Linkevičius, ministro dos Negócios Estrangeiros Lituânia:
“Acredito que é um legado pessoal. É importante porque foi algo que aconteceu recentemente. Ainda está muito presente. O sentimento de incerteza, a sensação de que devemos lidar com os problemas por nós próprios.
Mas agora é diferente. Somos membros da União Europeia , somos membros da NATO. Agora podemos reagir às pressões e ameaças de forma colectiva.”

James Franey, euronews:
“Não teme qualquer interferência russa dentro do seu país?”

Lina Linkevičius, ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia:
“Como disse , sendo membros da NATO , temos garantias de segurança . Mas os nossos vizinhos não têm essas garantias. E o mínimo que podemos fazer para mostrar nossa solidariedade e enviar uma mensagem muito clara: o que não deve ser feito no século XXI : a invasão , a agressão contra um país soberano , o que, infelizmente, não acontece pela primeira vez, como se sabe . E para evitar que isso aconteça novamente , devemos fazer o nosso melhor, o nosso melhor, pelo menos devemos trabalhar em conjunto para que isso não aconteça.”

James Franey, euronews:
“E o que é esse “melhor”? O que espera ver na quinta-feira e sexta-feira?”

Lina Linkevičius, ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia:
“Francamente, a questão das sanções não é nada de que nos devemos orgulhar, porque é realmente o último recurso. Quando as chamadas , convites, pedidos de calma, para envolver a Rússia diretamente com o governo ucraniano, para tornar menos tensa a crise. Todas as chamadas e manifestações de preocupação são importantes, mas estamos a chegar a uma altura em que provavelmente devem ser enviados alguns sinais mais tangíveis.”

James Franey, euronews:
“O que é que a Rússia precisa fazer para evitar as sanções económicas mais duras?”

Lina Linkevičius, ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia:
“A ocupação ou anexação da Criméia também não é aceitável. Nós nunca iremos reconhecer isso. Isso é evidente. Mas agora não é menos importante falar sobre novos movimentos na zona Oriental e do Sul da Ucrânia. Ninguém pode garantir que isso não vai acontecer, apesar de ter sido dito que não estava sobre a mesa. Ninguém está a discutir essa questão, mas começamos a ver cenários semelhantes nessas regiões. Com a justificação russa de que precisa de defender os seus cidadãos.
Só a possibilidade de uma intervenção pela força é realmente alarmante e isso afeta-nos. Nós realmente deve reagir para evitar que isso aconteça. Estes casos não são menos importantes que a anexação da Crimeia, que já foi considerada como uma violação do direito internacional.”

James Franey, euronews:
“E, no caso de chegarmos a uma situação limite, o que a Rússia precisa fazer exatamente?”

Lina Linkevičius, ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia:
“Pessoalmente acho que já estamos numa situação limite. Sim, a linha já foi ultrapassada. O que mais é preciso fazer para convercer todos de que o que está acontecer é ilegal e que estamos perante uma nova escalada da situação.”

James Franey, euronews:
“Mais movimentos dentro da zona oriental da Ucrânia?”

Lina Linkevičius, ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia:
“Movimentos noutras partes da Ucrânia. Quando isso acontecer pode ser que haja uma percepção de que os limites já foram todos ultrapassados e que é preciso tomar medidas mais consistentes. Mas o mínimo que se podia fazer já foi decidido e agora o mínimo que podemos fazer é implementar o que já foi decidido,avançar com as sanções.”