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Merkel não "abandona" Juncker, apesar da pressão vinda "do norte"

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Merkel não "abandona" Juncker, apesar da pressão vinda "do norte"

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Apesar da tentativa de três homólogos de centro-direita para a fazerem mudar de ideias, a chanceler alemã reafirmou o seu apoio a Jean-Claude Juncker para substituir José Manuel Barroso.

“Afirmei, e repeti-o aqui, que para mim Jean-Claude Juncker é o candidato para o cargo de Presidente da Comissão Europeia (CE) e gostaria que ele assumisse essa posição”, disse Angela Merkel, no final de uma espécie de minicimeira informal da União Europeia (UE), esta terça-feira, na Suécia.

A reunião com os colegas da Suécia, Holanda e Reino Unido visava discutir as prioridades políticas para próximo executivo europeu.

Mas o primeiro-ministro britânico, David Cameron, – principal opositor de Juncker -, quis realçar “o princípio de que cabe aos líderes europeus democraticamente eleitos, ou seja nós, escolher quem dirige as instituições, em vez aceitar um novo procedimento que nunca foi confirmado”.

Os líderes europeus terão de chegar a acordo através de maioria qualificada. A negociação pode ainda durar duas semanas, já que o nome deverá ser anunciado na cimeira da UE de 26 e 27 de junho.

Quem marca o compasso na UE?

Para analisar esta polémica com mais detalhe, o correspondente da euronews em Bruxelas, Rudolph Herbert, entrevistou o eurodeputado liberal alemão Alexander Graf Lambsdorff.

Rudolph Herbert/euronews (RH/euronews): “Este debate sobre quem vai ocupar a presidência da CE vai perpetuar-se? A chanceler Angela Merkel apoia realmente Jean-Claude Juncker ou tenta apenas salvar a face depois de ter anunciado esse apoio?”

Alexander Graf Lambsdorff (AGL/eurodeputado): “Aparentemente, o debate está longe de terminar e um sinal é que os quatro líderes que se reuniram na Suécia não são unânimes no apoio ao vencedor das eleições. Mas não percebo o que é que a chanceler faz nessa discussão, porque ela é um membro do Partido Popular Europeu. O candidato desse partido ganhou as eleições, logo deve ficar com o cargo. É isso que é a democracia e a UE é uma democracia”.

RH/euronews: “O que pretendem os opositores de Juncker?”

AGL/eurodeputado: “Penso que querem mostrar que os governos dos Estados-membros é que marcam o compasso na UE. Não querem que as instituições europeias, nomeadamente o Parlamento Europeu, desempenhem um papel mais forte”.

RH/euronews: “Mas o primeiro-ministro britânico pede sobretudo uma reforma da UE. O que é que isso significa?”

AGL/eurodeputado: “David Cameron não quer uma reforma, ele quer o fim da UE tal como a conhecemos hoje. Quer que cada Estado-membro tenha direito de veto, algo que não podemos aceitar de forma nenhuma”.

RH/euronews: “Mas a Alemanha não pode pôr o Reino Unido de lado…”

AGL/eurodeputado: “O Reino Unido é um país tolerante, que se destaca pela economia de mercado, que defende o livre comércio, incluindo o acordo que está a ser negociado com os Estados Unidos da América. Gostaria de ter um Reino Unido forte e construtivo na UE. Mas do meu ponto de vista, enquanto cidadão europeu, o que vejo agora é um Reino Unido com dúvidas acerca de tudo, que quer bloquear tudo. Isso não é fazer uma reforma, é ditar o fim da UE”.

RH/euronews: “Provavelmente pode chegar-se a um compromisso que satisfaça tantro Juncker como o Reino Unido. Como poderia ser obtido esse compromisso?

AGL/eurodeputado: “Mais uma vez tenho que dizer-lhe que, enquanto político liberal, não me oponho a um sistema que aposte mais na subsidiariedade e na democracia. Em termos de subsidiariedade, tal passaria por devolver alguns poderes de decisão aos Estados-membros, já que Bruxelas não tem que decidir tudo. Em termos de democracia, tal significaria aceitar o vencedor das eleições como o presidente da CE, porque é isso que as pessoas realmente esperam”.