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Executivo de Juncker quer dar novo fôlego ao projeto europeu

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Executivo de Juncker quer dar novo fôlego ao projeto europeu

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“Em Bruxelas, não se falava de outra coisa há semanas. O véu foi agora levantado e já se conhecem os membros da futura Comissão Europeia e a quais deles foram atribuídas as pastas mais importantes. São 28, tal como na actual Comissão, um por cada país. Mas há novidades na divisão do trabalho”, refere a correspondente da euronews em Bruxelas, Audrey Tilve.

Um presidente, sete vice-presidentes e 20 comissários formam a estrutura da futura Comissão Europeia.

O luxemburguês Jean-Claude explicou, esta quarta-feira, em Bruxelas, como é que este executivo de 28 pessoas deverá levar a cabo as reformas na União Europeia, nos próximos cinco anos.

Ao português Carlos Moedas, até agora ministro-adjunto, foi dada a pasta da Investigação, Ciência e Inovação.

Jean-Claude Juncker disse à euronews que “quis ter ex-primeiros-ministros e ex-ministros que conhecem bem o Conselho Europeu, os parlamentos nacionais e as opiniões públicas. Será uma Comissão muito política”.

A prioridade é vencer a crise, tendo Reino Unido e França ficado com importantes responsabilidades nessa área.

A economia e as finanças francesas vão de mal a pior, mas tal não assustou Juncker, que deu a pasta a Pierre Moscovici.

“Conheço bem Pierre Moscovici de quando trabalhámos juntos no Eurogrupo e ele tem um bom conhecimento da Europa e da França. Vai ter muito trabalho em França sobre o que diz respeito à França”, explicou Juncker.

O Reino Unido, que alberga uma das maiores praças financeiras do mundo, também cobiçava algo na área económica.

Mas surpreendeu a entrega a Jonathan Hill da pasta que lida, exatamente, com a união bancária.

Juncker justifica que “é a pessoa indicada para o trabalho e, além disso, quis dar ao Reino Unido uma pasta importante, para mostrar que não desejava vingar-me da deselegância com que fui tratado pelo primeiro-ministro britânico aquando da minha nomeação para presidir à Comissão”.

Mas tanto um como outro serão supervisionados por vice-presidentes que ajudarão Juncker a manter o superior interesse de toda a União.

As audições no Parlamento Europeu são o próximo teste e, se tudo correr bem, o executivo toma posse a 1 de novembro.

Sobre a pasta que lhe coube – Investigação, Ciência e Inovação -, o comissário designado por Portugal já disse que é “a chave para o crescimento” na Europa.

“Uma Comissão Europeia pronta para o combate”

A correspondente da euronews em Bruxelas, Audrey Tilve, conversou com Jean Quatremer, correspondente do jornal francês “Libération” e autor do blogue “Bastidores de Bruxelas”, sobre como é que em Bruxelas se avalia este elenco e a reorganização da Comissão Europeia.

Audrey Tilve/euronews (AT/euronews): “Vamos começar pelas boas notícias. O que é que há de inovador na Comissão de Juncker?”

Jean Quatremer/jornalista “Libération (JQ/jornalista): “Para já, ficam para trás dez anos de Comissão Barroso. É uma boa notícia o fim de dez anos de tédio, dez anos de um Comissão sem iniciativa e que vivia às ordens do Conselho Europeu. Aliás, quando José Manuel iniciou o primeiro mandato disse que estaria ao serviço dos Estados-membros. Efetivamente, ele esperou sempre por ordens e comportou-se como um secretário-geral do Conselho Europeu”.

AT/euronews: “E além desse balanço?”

JQ/jornalista: “Bom, mas é extamente nisso que se vê a diferença. Agora há um presidente da Comissão que age como tal. Tem ideias próprias e disse que apresentaria propostas sem esperar que os chefes de Estado e de governo lhe passassem os trabalhos de casa. Propôs uma Comissão Europeia pronta para o combate. Decidiu que, em primeiro lugar, os comissários devem ir para terreno e, de seguida, criou grandes áreas de especialização. Por exemplo, há um pólo que aglutina questões ligadas à zona euro, ao emprego e ao crescimento e que será supervisionado por uma pessoa austera: o ex-primeiro-ministro da Letónia. Esse vice-presidente vai liderar um grupo de comissários socialistas, liberais e democratas-cristãos responsáveis por relançarem a máquina do crescimento”.

AT/euronews: “Ora temos exatamente este sistema de vice-presidentes, no caso sete. Mas será que tendo eles áreas de supervisão, que são uma espécie guarda-chuva de vários comissários, não se vai gerar a confusão?”

JQ/jornalista: “Não creio. Penso, ao contrário, que vai permitir uma boa coordenação e revigorar o espírito de grupo. A ideia base de Juncker é ter uma espécie de “super-comissários”, digamos assim, que coordenam uma equipa de outros três ou quatro. Vão trabalhar em equipa e depois o resultado é analisado pelo presidente da Comissão e pelo colégio de 28 comissários. Logo, o trabalho é preparado com antecedência em pequenos grupos – ou “clusters” como se diz em Bruxelas – e, de seguida, é feita uma discussão mais em conjunto”.

AT/euronews: “Jean-Claude Juncker disse sempre que queria uma Comissão Europeia mais política. O que é que isso significa na prática e será que o conseguiu?”

JQ/jornalista: “A Comissão Europeia é agora mais política, uma vez que depende fortemente do Parlamento Europeu. Pela primeira vez, temos um presidente da Comissão Europeia que foi nomeado conjuntamente pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho de chefes de Estado e de governo. É a grande novidade! Logo, Jean-Claude Juncker não vai dizer que está apenas ao serviço dos Estados-membros. Está ao serviço deles, é verdade, mas também ao serviço do Parlamento Europeu, isto é, da opinião pública europeia. Tenho esperança que a Comissão Europeia trabalhe de mãos dadas com o Parlamento Europeu e que isso ajude a resolver o que é disfuncional na União Europeia. A atual União Europeia não é – ao contrário do que dizem os eurocéticos – uma Europa federalista disfuncional. É uma Europa dos Estados, tal como desejam os eurocéticos, mas é por isso mesmo que funciona mal. Foi esse modelo de Europa dos Estados que nos colocou contra a parede”.

Presidente da Comissão Europeia



Jean-Claude Juncker (Luxemburgo)

Comissários indigitados:


Frans Timmermans (Holanda)
Primeiro vice-presidente
Melhor Regulamentação, Relações Interinstitucionais e Subsidiariedade



Federica Mogherini (Italia)
Alta Representante para a Política Externa e Segurança/vice-presidente da Comissão



Vice-presidentes:


Kristalina Georgieva (Bulgária)
Orçamento e Recursos Humanos

Andrus Ansip (Estónia)
Mercado Único Digital

Alenka Bratušek (Eslovénia)
União Energética

Valdis Dombrovskis (Letónia)
Euro e Diálogo Social

Jyrki Katainen (Finlândia)
Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade

Membros da Comissão


Maroš Šefčovič (Eslováquia)
Transportes e Espaço

Günther Oettinger (Alemanha)
Economia e Sociedade Digital

Johannes Hahn (Áustria)
Política de Vizinhança Europeia e Negociações do Alargamento

Cecilia Malmström (Suécia)
Comércio

Neven Mimica (Croácia)
Cooperação Internacional e Desenvolvimento

Miguel Arias Cañete (Espanha)
Clima e Energia

Karmenu Vella (Malta)
Ambiente, Assuntos do Mar e da Pesca

Vytenis Andriukaitis (Lituânia)
Saúde e Segurança Alimentar

Dimitris Avramopoulos (Grécia)
Imigração e Assuntos Internos

Marianne Thyssen (Bélgica)
Emprego, Assuntos Sociais, Competências e Mobilidade laboral

Pierre Moscovici (França)
Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e Alfândegas

Christos Stylianides (Chipre)
Ajuda Humanitária e Gestão de Crises

Phil Hogan (Irlanda)
Agricultura e Desenvolvimento Rural

Jonathan Hill (Reino Unido)
Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e Mercado de Capitais

Elżbieta Bieńkowska (Polónia)
Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME’s

Vĕra Jourová Justice (República Checa)
Justiça, Consumidores e Igualdade de Género

Tibor Navracsics (Hungria)
Educação, Cultura, Juventude e Cidadania

Corina Creţu (Roménia)
Política Regional

Margrethe Vestager (Dinamarca)
Concorrência

Carlos Moedas (Portugal)
Investigação, Ciência e Inovação