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O plano de Juncker para o crescimento europeu

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O plano de Juncker para o crescimento europeu

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Substituições e percalços à parte, o coletivo que integra a Comissão Juncker prepara-se para assumir funções. Sem surpresas, o Parlamento Europeu aprovou em Estrasburgo o remodelado executivo comunitário.

O novo presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, fala do plano em nome de um futuro melhor para os jovens: “Vejo crescer uma geração que é uma geração sacrificada, perdida, por causa do desemprego em massa que atinge os jovens europeus. Julgo que se chegarmos a colocar em marcha um bom programa de investimento, que a médio prazo reforce o crescimento potencial, as forças de crescimento na Europa, os jovens, serão beneficiados.”

Foi desta forma que Juncker conseguiu até conquistar o voto dos socialistas no Parlamento Europeu.

“Juncker convenceu-nos na base de compromissos programáticos. O compromisso para o plano de crescimento e emprego, 300 mil milhões de euros. O compromisso sobre a diretiva dos trabalhadores, o compromisso sobre a mulheres em licença de maternidade”, explica Gianni Pittella, da Aliança dos Socialistas e Democratas.

O entusiasmo da nova Comissão não convenceu, no entanto, a bancada dos Verdes. Para alguns eurodeputados, como Ska Keller, esta está longe de ser uma equipa ideal: “Pensamos que existem algumas pessoas que não deveriam ser comissários europeus. Existem casos de claro conflito de interesses. Pessoas com uma ideia bastante errada sobre o rumo que a Europa deve tomar. Pessoas como o comissário húngaro que foi coautor da última lei húngara de imprensa e que é agora responsável pela pasta da cultura.

O novo colégio de comissários terá ainda que ser formalmente nomeado pelo Conselho Europeu.

Para comentar o resultado da votação no Parlamento Europeu, estivemos à conversa com Vivien Pertusot, que dirige, em Bruxelas, o Instituto francês para as Relações Internacionais.

Audrey Tilve, Euronews: qual será o primeiro grande desafio da Comissão Juncker que assume funções a 1 de novembro?

Vivien Pertusot, Instituto francês para as Relações Internacionais: “Julgo que é preciso distinguir os projetos de curto e médio prazo dos projetos quase estruturantes para a Comissão. Um desses projetos estruturantes será o posicionamento sobre as questões do emprego e crescimento, porque isso faz parte das prioridades dos Estados-membros desde há cinco anos e além do mais o Parlamento, a Comissão, o Conselho, entre outros, fazem força para que a UE se concentre verdadeiramente nesta questão, apesar das competências relativamente limitadas na matéria.
Depois, os dois projetos iminentes que a Comissão Juncker vai lançar são, primeiramente, avançar sobre o mercado único digital, fazer com que haja uma harmonização. Não é novo, mas é verdade que a Comissão Barroso não teve muito sucesso neste sentido. Existe agora um comissário quase inteiramente dedicado a estas questões, por isso essa será uma das prioridades.
A segunda prioridade é a União Energética e na União Energética há muitas coisas. É verdade que para a Comissão Europeia a primeira missão é determinar o que se vai fazer e isso será um dos primeiros desafios porque no seio da União Energética pode haver de tudo. Por isso, a Comissão tem de decidir o que se pode fazer de forma mais rápida e a ambição com que vai tratar o tema.”

Audrey Tilve, Euronews: o célebre plano de investimentos de 300 mil milhões de euros que o Presidente da Comissão vai apresentar em três meses também é importante?

Vivien Pertusot, Instituto francês para as Relações Internacionais: “É importante porque faz parte do projeto estrutural de emprego, do crescimento e do investimento. Trata-se de perceber como relançar as economias europeias. Será preciso ver como Juncker encontrará a forma correta para que esses 300 mil milhões de euros sejam efetivamente 300 mil milhões de verdade e não passem apenas de um anúncio ou que no fim de contas não se consiga esse dinheiro. Esse é um grande desafio porque atualmente estes 300 mil milhões de euros são relativamente fictícios. Esse dinheiro será conseguido através de empréstimos e de outros mecanismos, mas por agora são fictícios. Jean-Claude Juncker tem um grande desafio pela frente para conseguir esses 300 mil milhões de euros e principalmente para encontrar projetos ajustados a este valor.”