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Multas recorde a grandes bancos delapidam confiança no setor

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Multas recorde a grandes bancos delapidam confiança no setor

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Seis dos maiores bancos a nível mundial foram condenados a pagar multas recorde no valor de três mil e 400 milhões de euros. Em causa está a prática de manipulação sistemática das taxas de câmbio das principais moedas.

As instituições envolvidas são o suíço UBS; os americanos Citigroup, JP Morgan e Bank of America; e os britânicos HSBC e Royal Bank of Scotland. O Barclays está a tentar negociar um acordo sobre esta matéria.

Nenhum dos bancos assumiu uma responsabilidade direta, relegando para falhas do sistema exploradas por alguns funcionários. Durante as investigações, as autoridades de regulação apuraram que havia operadores de mercado de cada instituição a trocar informações confidenciais sobre as operações dos seus clientes, de forma a influenciar a subida ou descida de uma divisa, concretizando depois negócios avultados.

Mais de 30 pessoas foram obrigadas a cessar atividade. No entanto, o rumo dos processos não parece indicar que as acusações de crime cheguem às direções dos bancos. Pelo contrário, aprofunda-se a desconfiança no setor, com vários investidores a dizerem-se reticentes em manter ações de bancos. Tudo isto parece gerar um maior interesse nos países da região do Golfo Pérsico, onde os mecanismos de regulação são mais apertados.

Daleen Hassan, jornalista da euronews, falou sobre este tema com Nour Eldeen Al-Hammoury, analista da ADS Securities.

euronews: Mais um escândalo bancário: até que ponto é que estas situações prejudicam a confiança das pessoas no setor?

Nour Eldeen Al-Hammoury: Não é o primeiro escândalo, nem será o último. Este ano tem saído muito caro aos bancos por causa de todas as multas. É claro que isto tem prejudicado a confiança no setor bancário, sobretudo porque estes são bancos que já tiveram problemas por causa destas questões. Mas cabe às entidades reguladoras criar medidas rigorosas para enfrentar estas situações.

euronews: Mas parece que os reguladores estão a demorar muito tempo a fazer face a estes problemas. Estão os bancos a ser devidamente supervisionados?

NAH: Eles estão a ser supervisionados. No entanto, é impossível controlar tudo. No último escândalo, os reguladores levaram muito tempo até identificar o problema, vasculharam muitos mails e chats. Não é possível monitorizar toda a gente ao mesmo tempo. Mas acho que os reguladores têm de impor medidas fortes contra as práticas de manipulação.

euronews: Que efeitos podem ter estes escândalos sobre o comportamento dos operadores e a regulação do sistema no que toca ao Médio Oriente?

NAH: Estas podem ser boas notícias para a região do Médio Oriente, onde os bancos centrais exercem uma boa supervisão e onde nunca se ouviu falar num escândalo idêntico. Daí que haja um reforço da confiança no setor bancário daqui, que se torna mais atrativo para os investidores estrangeiros e para os corretores que lidam com as instituições financeiras e os bancos. Desde que os bancos centrais continuem a fazer um bom trabalho de monitorização.