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Coreia do Norte reage com ameaça nuclear à Resolução da ONU

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Coreia do Norte reage com ameaça nuclear à Resolução da ONU

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A Coreia do Norte ameaçou, esta quinta-feira, realizar um novo teste nuclear, em resposta à aprovação da resolução da ONU que quer levar os dirigentes do país ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por “crimes contra a humanidade”.

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que apela ao Tribunal Penal Internacional que julgue as autoridades da Coreia do Norte por “crimes contra a humanidade” e violações dos direitos humanos “sem paralelo no mundo contemporâneo”. Como é fácil de imaginar, Seul aplaudiu e Pyongyang reagiu ao ataque.
O embaixador da Coreia do Norte junto da ONU, Sin So Ho, declarou que o projeto de resolução proposto pela União Europeia e pelo Japão padecia de “uma falta de confiança, de suspeita e de confrontação que nada têm que ver com os verdadeiros direitos humanos”.

A resolução adota o texto elaborado pela comissão, encarregada de se pronunciar especificamente sobre as violações aos direitos humanos amplamente descritas num relatório de 400 páginas da ONU, divulgado em fevereiro, que concluiu, depois de uma longa investigação, que a Coreia do Norte cometeu violações dos direitos humanos “sem paralelo no mundo contemporâneo”.

A resolução não vinculativa, aprovada com 111 votos a favor, 55 abstenções e 19 contra, exige que sejam tomadas medidas para que os responsáveis pelos “crimes contra a humanidade” na Coreia do Norte “prestem contas”, e deverá ser referendada, em dezembro, pelo plenário da Assembleia.

Durante um ano, os investigadores recolheram testemunhos de exilados norte-coreanos e documentaram a existência de uma vasta rede de campos de prisioneiros onde se encontravam encarceradas até 120.000 pessoas, bem como casos de tortura, execuções sumárias e violações.

A responsabilidade de todos estes abusos dos direitos humanos encontra-se ao mais alto nível do Estado, segundo a investigação liderada pelo juiz australiano Michael Kirby, que concluiu que estes se assemelham a crimes contra a humanidade.

O governo da Coreia do Norte, que até agora não permitiu o acesso dos inspetores ao país para observar a situação ‘in loco’, sempre argumentou que os relatórios sobre direitos humanos em seu país são inventados e têm o objetivo de favorecer os interesses políticos dos EUA.

Pelo seu lado, os EUA levam “muito a sério” as ameaças da Coreia do Norte, que colocou hoje o seu exército em alerta total e pediu às unidades especiais para se prepararem para eventuais ataques contra o território dos Estados Unidos, incluindo Guam e Hawai, no Pacífico, afirmou o porta-voz do Pentágono, George Little.

“Estamos preocupados com qualquer ameaça levantada pelos norte-coreanos. Levamos tudo o que dizem e tudo o que fazem muito a sério. Eles têm de parar de ameaçar a paz – não ajuda ninguém”, sublinhou o porta-voz.
George Little classificou de “retórica bélica” as ameaças proferidas pelo regime de Pyongyang e disse tratar-se de um “padrão conhecido desenhado para aumentar as tensões e intimidar os outros”.