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É com os pacientes que se aprende a ser médico?

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É com os pacientes que se aprende a ser médico?

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A evolução da medicina torna necessárias novas aprendizagens. Qual a melhor forma de fazer com que os futuros profissionais de saúde aprendam através do contacto direto com os pacientes?

Se tivesse de fazer uma operação e lhe propusessem que fosse conduzida por um estudante… É um debate constante este da aquisição de experiência na educação médica. Na primeira reportagem, vamos conhecer um método canadiano.

Estamos em Ottawa, no Canadá. O tempo urge porque surgiu uma emergência médica. Uma paciente sofreu um ataque cardíaco e está a debater-se para conseguir respirar. É este o cenário apresentado num dos maiores centros de simulação médica da América do Norte, onde tanto estudantes, como profissionais de saúde, têm a oportunidade de treinar técnicas de intervenção.Esta sala foi concebida para reproduzir situações reais. As ferramentas são as mesmas do que nos hospitais. Os manequins são controlados por computador para gerar interação e simular alterações bruscas no estado de saúde.

No que diz respeito à formação de dentistas, este processo também tem as suas especificidades. Mas o que fazer quando não há dentistas disponíveis? A próxima reportagem tem lugar na Nicarágua, onde uma ONG espanhola encontrou uma solução.

É uma expedição muito especial. Mais de vinte finalistas europeus de Medicina Dentária embarcaram numa missão de solidariedade para voltar a fazer sorrir pessoas com poucos recursos em meios carenciados. O primeiro destino é Chichigalpa, na costa oeste da Nicarágua. Há mais de 15 anos que o médico espanhol Francisco Rojas ajuda a improvisar consultórios nas zonas mais desfavorecidas deste país, e ainda do Cambodja e de Madagáscar. O responsável pela associação "Dentistas Sem Limites" angaria equipamento e donativos por parte dos estudantes que querem participar nesta experiência. Para os futuros dentistas, a experiência extravasa em muito o contexto profissional. As relações criadas com os habitantes locais que ajudam trazem outro crescimento.

Falamos também com o Dr. Magdi Yacoub, uma das referências mundiais em cirurgia cardiotorácica e transplantes, sobre os próximos desafios que a educação na Medicina enfrenta. Fomos ao seu encontro no Egito.

A vida de Magdi Yacoub centra-se no coração dos outros. O seu trabalho na área dos transplantes cardíacos já foi reconhecido com vários prémios – foi ordenado cavaleiro pela rainha Isabel II. Este cirurgião fundou um hospital em Aswan, no Egito, onde criou a organização humanitária “Chain of Hope” que presta assistência em cuidados cardiotorácicos nos países em vias de desenvolvimento. Também abriu um centro de formação onde acompanha o percurso de jovens médicos. Para quem é dos maiores especialistas mundiais em procedimentos complexos, como a cirurgia de Ross, para quem já publicou mais de mil artigos científicos, a palavra-chave continua a ser “paixão”.