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Havana e Miami com reações distintas à aproximação de Obama e Castro

A aproximação entre Estados Unidos e Cuba, confirmada esta quinta-feira pelos respetivos Presidentes, Barack Obama e Raul castro, teve diferentes

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Havana e Miami com reações distintas à aproximação de Obama e Castro

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A aproximação entre Estados Unidos e Cuba, confirmada esta quinta-feira pelos respetivos Presidentes, Barack Obama e Raul castro, teve diferentes ecos em Havana, capital da parte da ilha controlada pelo regime Castro, e Miami, uma das cidades americanas onde vivem mais exilados cubanos. Quase 400 quilómetros de água separam as duas cidades.

Na capital cubana, a abertura americana foi efusivamente celebrada e, mais em particular, os irmãos Castro. “Viva Fidel e Raul. Que vivam para sempre”, gritaram alguns.

Nos cafés da capital, o histórico reatar de relações diplomáticas entre Havana e Washington foi seguido com atenção. Um residente de Havana afirmou: “Estamos muito contentes. Há muitos anos que esperávamos por isto. O embargo já se tornou absurdo. Todas estas medidas que foram tomadas contra o nosso país são absurdas.”

Do outro lado do estreito da Florida, em Miami, os históricos acontecimentos deste dia, que põem fim a mais de meio século de bloqueio, foram vividos de forma distinta. Por um lado, entusiasmo pela libertação do norte-americano Alan Gross, detido em Havana há cinco anos. Por outro, com muitas críticas a Obama, que acusam de ceder face a um regime ditatorial que, alegadamente, não respeita os direitos humanos.

“Os Estados Unidos são uma grande potência, devem continuar a sê-lo e manter as calças apertadas. Parece-me, contudo, que Obama está a baixar um pouco as calças”, acusa uma residente de Miami, misturando o inglês com o espanhol.

Mas mesmo entre os críticos desta abertura parcial dos Estados Unidos a Cuba, há quem veja um lado positivo, mas… contra o regime de Raul Castro: “As pessoas de lá vão poder vir aqui e ver como as pessoas aqui vivem. Então, os de lá vão conhecer melhor este país e poder perceber a diferença entre tirania e liberdade.”

Quase 1,8 milhões de cubanos vivem hoje nos Estados Unidos. Mais de metade destes só na Florida. Em Miami, na pacatez do conhecido bairro “Pequena Havana”, fumar um cubano enquanto se joga o ali popular dominó já vai poder ser legal. O mítico charuto vai deixar de ser perseguido. Aliás, cada americano que visitar Cuba poderá levar de volta para os Estados Unidos até 100 dólares de charutos cubanos. Pelo menos isso, acreditamos, até alguns Republicanos vão apreciar.