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As questões deixadas pelos ataques de Paris

Na ressaca dos ataques terroristas, o governo francês anunciou medidas para reforçar a segurança, mas muitas questões restam ainda sem resposta. Uma

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As questões deixadas pelos ataques de Paris

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Na ressaca dos ataques terroristas, o governo francês anunciou medidas para reforçar a segurança, mas muitas questões restam ainda sem resposta.

Uma delas, por exemplo, porque é que o jornal Charlie Hebdo não estava melhor protegido?

Na verdade, o jornal, que estava na mira dos fundamentalistas islâmicos desde a publicação das caricaturas de Maomé em 2006, tinha sido alvo de um ataque, com o incêndio da sede, no final de 2011. A partir daí, a presença policial diante do edifício era constante. Até setembro de 2014, um furgão da polícia manteve guarda diária mas, com o passar do tempo desde o último ataque, tanto as forças policiais como a direção do jornal consideraram que a ameaça era menos importante. Segundo testemunhos de pessoas próximas do jornal, o próprio chefe de redação, Stéphane Charbonnier (Charb) tentava relativizar a questão quando lhe chamavam a atenção para os riscos que corria.

Porque é que os suspeitos não estavam sob vigilância?

Uma das primeiras questões que surgem na cabeça dos franceses neste caso, como já no de Mohamed Merah, em 2012, em Toulouse é: porque é que os suspeitos não estavam sob vigilância?
A questão é pertinente, tendo em conta tudo o que se conhece do passado destes homens e das ligações com as redes islamitas. São fundadores da primeira escola de jihad em França. Uma escola com ramificações no Iraque, na Tunísia, na Síria e no Iémen.
Os irmãos Kouachi, Saïd et Chérif, tal como Coulibaly, eram conhecidos do sistema judicial francês. Chérif Kouachi tinha sido condenado num caso de rede de recrutamento de jihdistas para o Iraque, doutrinado por um “émir” , Farid Benyettou.

Coulibaly foi condenado no caso de projeto de evasão de Smaïn Aït Ali Belkacem, este condenado pela participação na vaga de atentados de 1995 em França.
Coulibaly e Chérif Kouachi eram ambos próximos de um islamita radical, Djamel Beghal, que já foi ouvido pelas autoridades.

Porque é que demorou tanto tempo a estabelecer a ligações entre o ataque de Montrouge com o do Charlie Hebdo?

Sobre esta questão, as autoridades são parcas em informações. Num primeiro momento, fontes próximas do dossiê tinham descartado a hipótese de uma ligação entre os dois ataques, mas o procurador encarregado dos casos de terrorismo, pegou no processo e depois do video da reivindicação da explosão de uma viatura armadilhada no bairro de Villejuif por Amed Coulibaly, começou a ser feita a ligação entre todos os acontecimentos.

Como é que os suspeitos conseguiram as armas?

Tanto os irmãos Kouachi como Coulibaly tinham um verdadeiro arsenal. De acordo com os especialistas, as armas encontradas em seu poder tinham um valor no mercado negro que rondava os 7 mil euros. Aparentemente, no caso dos irmãos Kouachi, o financiamento das armas provinha do negócio de contrafação; quanto a Coulibaly, praticava todo o tipo de delinquência.

Onde está Hayat Boumeddiene?

A companheira de Amedy Coulibaly, autor do sequestro no Hyper Cacher da Porte de Vincennes está sob mandado de captura internacional, mas segundo fontes policiais terá viajado para a Turquia de onde conseguiu passar para a Síria.

Segundo as informações recolhidas pela polícia, Boumeddienne terá chegado à Turquia no dia 2 de janeiro, altura em que as autoridades turcas registaram a sua entrada num voo de ligação entre Madrid e Istambul. Tinha um voo de regresso previsto para o dia 9 de janeiro, mas não viajou nesse voo.

Os serviços de fronteiras assinalam a sua passagem para a Síria no dia 8 de janeiro, na véspera do sequestro em Paris.