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Dinamarca: Reintegrar os jihadistas

Fomos até Aarhus, a segunda cidade da Dinamarca. É pioneira num programa contra o extremismo que o Parlamento dinamarquês estendeu recentemente a

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Dinamarca: Reintegrar os jihadistas

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Fomos até Aarhus, a segunda cidade da Dinamarca. É pioneira num programa contra o extremismo que o Parlamento dinamarquês estendeu recentemente a todo o país. A iniciativa foi integrada numa política nacional anti crime, nas escolas, com a colaboração da polícia e dos serviços sociais.

Point of view

A forma mais fácil de garantir a segurança é por as pessoas na cadeia. É a solução mais fácil. O que é mais difícil é garantir a reintegração dessas pessoas na sociedade dinamarquesa, como cidadãos normais. É difícil, mas acreditamos ser o melhor método.

Desde 2010, mais de uma centena de jovens dinamarqueses foram combater para o Iraque e para a Síria. Num país com apenas cinco milhões e meio de pessoas, esta é uma das mais altas taxas da Europa. No modelo dinamarquês contra a radicalização existe uma “unidade de prevenção”. Esta unidade envolve uma rede de mentores que interage com os futuros jovens jihadistas ou com jihadistas já alistados.

Este trabalho de proximidade é tão sensível que o especialista com quem falamos prefere não revelar a identidade. Diz que sinalizar um potencial terrorista é extremamente difícil. Mas que combate à exclusão social é uma parte fundamental da prevenção: “Se estivermos em busca de uma identidade, se sentirmos que não pertencemos à sociedade, uma das formas de encontrar essa identidade de nos sentirmos valorizados e vermos as nossas capacidades reconhecidas é optar por seguir esse caminho, como alguns fazem. Dizem-lhes que são os “escolhidos”, o que é um sentimento muito poderoso para quem acredita. Desta forma, não têm medo de morrer, sentem-se os escolhidos o que justifica todos os atos. É um alto preço a pagar e é difícil para a sociedade dar resposta, em termos de oferta de alternativas.”

Em 2014, apenas um jovem trocou a região de Aarhus pela Síria, em comparação com os 30 no ano anterior.

É o resultado da substituição de repressão pelo diálogo. Assim o diz Toke Agerschau, líder do programa contra o extremismo. Oferecem aconselhamento psicológico, formação e apoio na procura de emprego aos jihadistas que decidiram voltar: “A forma mais fácil de garantir a segurança é por as pessoas na cadeia. É a solução mais fácil. O que é mais difícil é garantir a reintegração dessas pessoas na sociedade dinamarquesa, como cidadãos normais. É difícil, mas acreditamos ser o melhor método.”

Ahmad Yasin foi para a Síria duas vezes: primeiro para lutar no Exército Livre da Síria contra o regime de Bashar al-Assad, depois, como assessor de imprensa. Agora é ativista político, em vez de combatente: “Muitos dos jovens que foram para lá e voltaram não conheciam a situação. Não sabiam nada sobre o que estava a acontecer. Sentimos que tínhamos de fazer alguma coisa sobre a injustiça. Condená-los não é a melhor opção. Há que educar as pessoas.
Um rapaz de 17 anos veio falar comigo e estava a pensar ir para a Síria fazer todo tipo de coisa… Ele não sabia que eu tinha estado lá. Falei com ele e disse-lhe: “Eu estive lá, isso não é coisa para ti. Vai estudar e fazer algo de bom com a tua vida e para outras pessoas. Não vais fazer nada de bom enquanto combatente na Síria. Faz algum trabalho humanitário, envia dinheiro a pessoas necessitadas. Vai ser muito melhor do que qualquer tipo de envolvimento na luta. “

O programa de Aarhus, contra a radicalização, baseia-se num diálogo constante entre os serviços sociais, a polícia, as agências de inteligência, as famílias, a sociedade civil e os líderes religiosos.

A abordagem dinamarquesa é encarada com interesse por alguns países da UE, enquanto aumentam as medidas de segurança ao mesmo tempo.