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Cessar-fogo na Ucrânia manchado por mortes em Kramatorsk e Donetsk

Um ataque de roquetes na terça-feira sobre Kramatorsk e um outro com granadas de morteiro no centro de Donetsk, ambos no leste da Ucrânia, mancharam

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Cessar-fogo na Ucrânia manchado por mortes em Kramatorsk e Donetsk

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Um ataque de roquetes na terça-feira sobre Kramatorsk e um outro com granadas de morteiro no centro de Donetsk, ambos no leste da Ucrânia, mancharam de sangue e morte as negociações de paz que conduziram, em Minsk, na Bielorrússia, o governo ucraniano e representantes dos separatistas pró-russos a um novo acordo de cessar-fogo.

Point of view

Há quem não goste da paz e prefira a guerra. Há quem queira ter influência apenas por matar pessoas, por ter uma guerra e por agressões contra a pacífica Ucrânia

As tréguas, resultantes de uma reunião do Grupo de Contacto para a paz na Ucrânia, deveriam manter-se durante as negociações que vão ser retomadas esta quarta-feira com as presenças de Petro Poroshenko e Vladimir Putin, respetivamente presidentes da Ucrânia e da Rússia, com mediação da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa).

Em Donetsk, de acordo com informações reveladas pelos separatistas pró-russos que controlam esta cidade, pelo menos quatro pessoas morreram quando uma estação de autocarros e uma metalúrgica foram atingidas.

“Um condutor de autocarro morreu como consequência de tiros de morteiro numa paragem de autocarro do centro de Donetsk”, disse à AFP o porta-voz dos separatistas, Ivan Prikhodko. Um funcionário da metalúrgica referiu a morte de três pessoas, incluindo dois guardas, no ataque à fábrica.

Na véspera, em Kramatorsk, cidade controlada pelo exército da Ucrânia e que dista ainda relativa distância da linha da frente da ofensiva separatista, terão morrido pelo menos 16 civis, entre três dezenas de baixas. De acordo com as autoridades, mais de 60 pessoas ficaram feridas, incluindo 31 civis, neste ataque com recurso a roquetes “Smerch” que tinha como alvo o centro de comando militar local, mas que atingiu também uma zona residencial da cidade.

“O bombardeamento vem com os cumprimentos de Vladimir Putin. Quem mais poderia ter feito isto?”, gritou um habitante de Kramatorsk, ao passar junto a um ‘rocket’ que não explodiu.

Na véspera de se reencontrar com Vladimir Putin, Angela Merkel e François Hollande, em Minsk, Petro Poroshenko passou por Kramatorsk e deixou acusações implícitas: “Este incidente destinava-se a prejudicar ou até a cancelar as negociações de paz. Há quem não goste da paz e prefira a guerra. Há quem queira ter influência apenas por matar pessoas, por ter uma guerra e por agressões contra a pacífica Ucrânia.”