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Rússia é induzida em erro e acusa Ucrânia de violar acordos de Minsk

Moscovo acusou Kiev de manter ativas peças de artilharia junto à zona de conflito, mas as "provas" não passavam de imagens de exercícios militares a mais de 45 quilómetros da linha da frente de Mariup

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Rússia é induzida em erro e acusa Ucrânia de violar acordos de Minsk

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Um vídeo divulgado pela agência Reuters em que são revelados exercícios militares com armamento pesado pelo exército da Ucrânia induziu a Rússia em erro. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo acusou mesmo Kiev de estar a violar os acordos de Minsk ao manter alegadamente ativas peças de artilharia na linha da frente do conflito com os rebeldes separatistas, que resistem no leste do país.

As imagens foram, contudo, recolhidas na região de Urzuf, a cerca de 45 quilómetros a ocidente da cidade costeira de Mariupol, onde se situava uma das frentes de combate deste conflito separatista que dura há mais de um ano na Ucrânia com cada vez mais evidente interferência russa no apoio aos rebeldes. Os responsáveis russos alegavam que as imagens tinham sido recolhidas na cidade de Schyrokyne, na região de Donetsk, uma das duas controladas por grupos separatistas.

Numa entrevista a uma estação de televisão russa, Sergei Lavrov falou de alegadas provocações militares de Kiev e apelou à Alemanha e à França para controlarem a Ucrânia. “Nós apenas pedimos o óbvio: que influenciem as autoridades ucranianas para que os compromissos assumidos por Petro Poroshenko, enquanto presidente da Ucrânia, sejam cumpridos”, disse Lavrov.

O responsável pela diplomacia do Kremlin acusou ainda Kiev de estar a querer criar “uma distração” com o pedido da criação de uma força de paz das Nações Unidas para o leste da Ucrânia.

“Poroshenko está pressionado por aqueles que não defendem qualquer acordo pacífico, o qual apagaria a sua responsabilidade no conflito. Depois do parlamento ucraniano ter adotado legislação para eleições regionais que contradizem diretamente os termos do acordo de Minsk, eles inventaram este novo truque: a iniciativa da força de paz. Parece tudo muito nobre e positivo, mas os que estão familiarizados com a situação percebem o que realmente se passa”, disse Lavrov.

No terreno e apesar do cessar-fogo que deveria estar também em vigor por toda a zona de conflito, os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OCSE) têm registado a ocorrência de combates, pelo som de explosões.

Nas últimas 48 horas, as autoridades ucranianas registaram mais de quarenta ataques rebeldes e a morte de pelo menos dois soldados. Nesses confrontos, outros oito soldados terão ficado feridos.

Kiev garante que os separatistas têm mantido alguns ataques a posições do exército, nomeadamente nas proximidades de Mariupol, uma das maiores cidades que a Ucrânia conseguiu manter fora do controlo dos rebeldes pró-russos.