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Futuro acordo sobre o programa nuclear iraniano: os pontos espinhosos

O texto final do acordo entre o Irão e o grupo 5 + 1 (EUA, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha) está a ser preparado, depois das principais

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Futuro acordo sobre o programa nuclear iraniano: os pontos espinhosos

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O texto final do acordo entre o Irão e o grupo 5 + 1 (EUA, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha) está a ser preparado, depois das principais linhas mestras terem sido ‘cozinhadas’ durante meses e terem sido aprovadas por todos os intervenientes, num feito diplomático considerado histórico. Mas existem pontos espinhosos com potencial para travar uma solução efetiva num braço de ferro que dura há anos. E quais são?

Levantamento das sanções: como e quando?

Uma das questões mais importantes em cima da mesa são as sanções económicas e financeiras que pesam sobre o Irão e que foram importantes para forçar Teerão a negociar um acordo com as potencias mundiais.

A República Islâmica do Irão exige um levantamento imediato e total das sanções no dia da assinatura do acordo e adverte que essa é a condição essencial para poder oficializar o compromisso. Mas o grupo 5 +1 pretende um levantamento gradual, em especial os Estados Unidos.

Supervisão

Segundo o documento assinado em Lausana, na Suíça, o Irão aceitou a supervisão do Organização Internacional para a Energia Atómica como forma de garantir que o acordo é respeitado. No entanto, Teerão recusa qualquer intrusão de inspetores nas suas bases militares.

Revelação de planos militares passados

Os Estados Unidos exigem do regime dos aiatolas o fornecimento de todos os planos militares relacionados com energia nuclear. Essa condição ficou bem expressa pelo secretário de Estados norte-americano, John Kerry. Tal como as reticências já demonstradas pelo Irão em relação ao acesso dos inspetores a instalações militares, planos secretos podem nunca vir a ser revelados.

Os Estados Unidos e a União Europeia suspeitam que Teerão leva a cabo um programa militar secreto, o grande argumento para o braço-de-ferro entre as potências mundiais e o Irão. O alegado desenvolvimento de uma arma nuclear é o motivo para o grande receio de Israel.

Congresso dos Estados Unidos

Existem anticorpos no Congresso dos Estados Unidos em relação ao Irão, especialmente depois do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ter discursado perante os congressistas.

Barack Obama foi mais tarde obrigado a dar uma palavra ao Congresso sobre o acordo com o Irão, mas tem sempre poder de veto, que pode ser ultrapassado com uma maioria qualificada de dois terços.

Muitos Republicanos defendem que o Irão já recebeu concessões a mais.

As reticências de Israel

Desde sempre, os Israelitas têm demonstrado uma aversão à assinatura de um acordo com o Irão. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, deixou-o claro desde o primeiro momento e repetiu vezes sem conta que “o Irão é e continua a ser uma ameaça”. Netanyahu já tentou influenciar o congresso, numa jogada diplomática que lhe custou capital político perante Obama.

Recorde-se que, por mais do que uma vez, os iranianos defenderam “riscar Israel do mapa”.

Tempo

Até 30 de junho (data limite para a assinatura do acordo), muita coisa pode acontecer e as vontades podem alterar-se, tanto por parte das potências mundiais, como do lado iraniano.