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Kudsi Ergüner: "sem os nossos artistas arménios não há tradição musical de Istambul"

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Kudsi Ergüner: "sem os nossos artistas arménios não há tradição musical de Istambul"

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Kudsi Ergüner é um dos grandes mestres da tradição musical sufi e da flauta turca Ney.

Kudsi Ergüner é considerado um dos grandes mestres das músicas sufi e Mevlevi e um dos melhores instrumentistas da flauta turca Ney.

Point of view

As fronteiras da cultura são muito diferentes das da política. Infelizmente, os governos numa perspetiva nacionalista tentam impor uma só cultura dentro das fronteiras do país. Nós tocamos música de compositores gregos e arménios. Sem os nossos artistas arménios, deixamos de ter a tradição musical de Istambul.

A euronews entrevistou o artista turco por ocasião do Festival Mugam no Azerbaijão.

“Hoje temos a música sufi ‘Nu-ed’. Numa linguagem moderna diria que é como a música de dança. Foi um estilo adotado pelas pessoas mais ocidentalizadas nas sociedades muçulmanas. As pessoas rodopiam, tocam ney e sentem-se sufi. O mais importante é o facto de haver novas gerações interessadas na tradição do misticismo”, disse Kudsi Ergüner.

Foi com o pai que Ergüner aprendeu a acompanhar as danças hipnóticas e espirituais típicas da tradição Mevlevi.

Em 2013, o artista turco compôs música com um toque flamenco para os poemas do poeta andaluz Ibn Arabi.

“O misticismo e o sufismo existiam na Andaluzia durante o período islâmico. Temos por exemplo o poeta İbn-i Arabi. Ele escreveu o livro ‘O intérprete dos desejos’. Os músicos de flamenco leram esses poemas e nós também os lemos em árabe.
Neste sentido, não queríamos apenas combinar o flamenco com a nossa própria música. Queríamos mostrar que a nossa herança cultural se estende desde a Espanha até à Índia, muito para além das fronteiras políticas. Queremos sublinhar que esta música tem uma zona de influência enorme”, disse Kudsi Ergüner.

O artista turco sublinha que a cultura não tem fronteiras e dá um exemplo: se eliminarem a música arménia da tradição artística de Istambul, restará muito pouco.

“As fronteiras da cultura são muito diferentes das da política. Infelizmente, os governos numa perspetiva nacionalista tentam impor uma só cultura dentro das fronteiras do país. Nós tocamos música de compositores gregos e arménios. Sem os nossos artistas arménios, deixamos de ter a tradição musical de Istambul”, sublinhou Kudsi Ergüner.