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Eleições do Burundi adiadas pela segunda vez

As eleições do Burundi foram adiadas pela segunda vez – a primeira foi a 20 de maio. As municipais e legislativas estavam marcadas para esta

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Eleições do Burundi adiadas pela segunda vez

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As eleições do Burundi foram adiadas pela segunda vez – a primeira foi a 20 de maio. As municipais e legislativas estavam marcadas para esta sexta-feira, dia 5, as presidenciais para 26 do corrente. A nova data para o escrutínio não foi anunciada.

A decisão foi do contestado presidente cessante, Pierre Nkurunziza, que teima em apresentar-se para um terceiro mandato, inconstitucional, o que provocou uma vaga de protestos que degenerou rapidamente: o medo e violência, nas últimas semanas no Burundi, a resposta policial às contestações, deram origem a uma crise de refugiados na região dos Grandes Lagos. O número dos que, desde o início de abril, procuraram asilo no exterior ronda os 105 mil.

Pierre Nkurunziza cedeu às pressões da Comunidade do Leste de África, que reuniu no domingo passado na Tanzânia.

No dia 13 de maio, durante a primeira reunião, um grupo de militaires burundianos, liderado pelo general Godefroid Niyombare, tentou fazer um golpe de Estado, quando o presidente estava na cimeira de Dar es Salaam, mas foi travado pelas tropas leais a Nkurunziza, que regressou dois dias depois. Como não desiste do terceiro mandato a oposição rejeita negociações.

Entretanto, a economia do país está paralisada, principalmente em Bujumbura. Os direitos das crianças são sistematicamente violados. Muitas escolas da capital estão encerradas. O Burundi é um dos países mais pobres do planeta, com um rendimento per capita de 230€ por ano, 58% da população sofre de desnutrição crónica… a crise política já provocou grande impacto sobre a ajuda exterior, pois interromperam-se os projetos e faltam as divisas.

A repressão policial causou cerca de 40 mortos e o medo levou a popualção a fugir: 70 mil procuraram refúgio na Tanzânia, 26 mil no Ruanda e 9 mil na República Democrática do Congo.