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Advogado de Strauss-Kahn sublinha falta de provas para proxenetismo

Antigo diretor do FMI foi absolvido de todas as acusações no âmbito do "caso do hotel Carlton", em Lille. Carreira política de DSK terá sido manchada por questões morais e sem qualquer base legal

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Advogado de Strauss-Kahn sublinha falta de provas para proxenetismo

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O advogado de Dominique Strauss-Khan congratulou-se com a decisão desta sexta-feira do tribunal de Lille, que decidiu absolver de todas as acusações de cariz sexual o antigo diretor do Fundo Monetário Internacional no âmbito do chamado “caso do Hotel Carlton”. Henri Leclerc alega que o cliente estava a ser acusado por questões morais e não legais, as quais foram determinantes para lhe manchar de forma irremediável a reputação política.

“A indiciação de Dominique Strauss-Kahn baseou-se numa ideologia e foi alimentada a critérios morais, mas sem base legal. Como dissemos antes, não existem quaisquer factos que provem que ele seja culpado de proxenetismo”, afirmou Leclerc à saída do tribunal.


Para lá de Dominique Strauss-Kahn, havia mais 13 pessoas no banco dos réus. Apenas uma foi condenada: um antigo quadro do hotel Carlton. Até um reconhecido proxeneta estranhou ter escapado à prisão desta vez.

“Estava à espera de ir para a prisão. Honestamente. Mas houve coragem (para esta decisão). O que é raro”, assumiu Dominique Alderweireld, conhecido pela alcunha “Dodo la Saumure.”

A absolvição desta sexta-feira põe fim a mais de cinco anos de escândalos sexuais na barra da justiça envolvendo Dominique Strauss-Khan. Aos 66 anos, é pouco provável que o também antigo ministro francês da Economia e Finanças consiga voltar à ribalta política, ele que chegou a ser apontado às eleições presidenciais francesas de 2012.


Esta acusação tinha por base festas de cariz sexual, ou orgias, nas quais DSK, como também se tornou conhecido Strauss-Kahn, teria participado pelo menos entre 2007 e 2011, quando estava à frente do FMI.

A antiga estrela do Partido Socialista francês admitiu ter participado em orgias e viu provados em tribunal os seus gostos sexuais perversos, mas sempre alegou desconhecimento de que as mulheres presentes nessas festas fossem prostitutas. O tribunal de Lille deu-lhe razão nesse ponto e no envolvimento na organização e promoção desses mesmos encontros sexuais.

O princípio do fim de DSK

Para trás, DSK já tinha deixado o caso da empregada de um hotel da cadeia Sofitel em Nova Iorque que o acusou, em 2011, de agressão sexual, num caso resolvido com um acordo extrajudicial e que viria a inspirar um polémico filme protagonizado pelo ator francês Gerard Depardieu.

Em 2008, já uma funcionária do FMI havia acusado o então diretor da instituição de de assédio continuado. Depois de se desculpar publicamente a Piroska Nagy, DSK continuou a liderar o FMI. Ao mesmo tempo, em França, a jornalista Tristane Banon acusou Strauss-Kahn de uma tentativa de violação ocorrida em 2003.

O caso ocorrido em Nova Iorque há quatro anos terá sido o que precipitou o fim da carreira política de DSK e este último o que a enterrou de vez.