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Turquia: Parlamento reabre com mais mulheres e uma difícil coligação no horizonte

O Parlamento da Turquia retomou a atividade esta terça-feira, pouco mais de 2 semanas após as eleições de 7 de junho, que ditaram, pela primeira vez

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Turquia: Parlamento reabre com mais mulheres e uma difícil coligação no horizonte

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O Parlamento da Turquia retomou a atividade esta terça-feira, pouco mais de 2 semanas após as eleições de 7 de junho, que ditaram, pela primeira vez, a perda da maioria ao Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), partido fundado em 2001 pelo atual Presidente e ex-primeiro ministro turco. Recep Tayyp Erdogan presidiu, aliàs, à cerimónia de tomada de pose dos novos legisladores.


Sob o hino da Turquia, os novos deputados tomaram posse, numa assembleia presidida provisoriamente pelo mais velho de todos, Deniz Baykal, do Partido Republicano do Povo (CHP), a principal força da oposição da última década. Dentro de cinco dias, o Parlamento deverá eleger o novo Presidente da Mesa da Assembleia da República e, após essa escolha, o Presidente Erdogan deverá mandatar o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu para formar Governo como líder do partido mais votado.

A negociaçãopara formar o novo Governo parece, contudo, difícil. Sem a maioria absoluta pela primeira vez desde que chegou ao poder em 2002, o AKP, com apenas 47 por cento dos deputados (258 num total de 550), está obrigado a forjar nova coligação.


O CHP conta com 24 por cento (132 deputados) do Parlamento e já se mostrou disponível para integrar o futuro Governo, mas não ao lado do partido mais votado. O AKP poderá, no entanto, arriscar uma coligação mais radical com o Partido de Ação Nacionalista (MHP), que tal como os estreantes pró-curdos do Partido Democrático do Povo (HDP), ocupam 14,5 por cento do parlamento (80 deputados, cada).

Davutoglu mostrou abertura a qualquer tipo de coligação, mas se não a conseguir caberá ao líder do segundo partido mais votado, Kemal Kiliçdaroglu (CHP), tentar a sua sorte de formar Governo. Se passarem 45 dias sem se conseguir formar um novo executivo, de acordo com a Constituição, Tayyp Erdogan deverá convocar novas eleições, o que o Presidente já assumiu não desejar.


A nova assembleia da República turca tem ainda, entretanto, outras novidades. O número de deputadas aumentou em 20 face à última legislatura e, agora, são 98 as mulheres com palavra no Parlamento da Turquia.

Pela primeira vez, em 55 anos, os legisladores turcos incluem representantes da minoria arménia no país (3), um deputado cigano e uma deputada da minoria “yazidí”. Entre os membris da mesa esteve ainda Dilek Öcalan, sobrinha de Abdullah Öcalan, o fundador da guerrilha curda dos PArtido dos Trabalhadores do Curdistão, que cumpre atualmente uma pena de prisão perpétua na Turquia.