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Colômbia: Governo desenterra desaparecidos e negoceia paz com as FARC

Ao mesmo tempo que em Havana, Cuba, prosseguem as negociações de paz entre o governo de Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

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Colômbia: Governo desenterra desaparecidos e negoceia paz com as FARC

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Ao mesmo tempo que em Havana, Cuba, prosseguem as negociações de paz entre o governo de Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), no centro do país equipas de busca procuram os eventuais cadáveres de pelo menos 50 mil desaparecidos entre as mais de 220 mil vítimas estimadas do conflito colombiano.

Membros da polícia forense e guardas prisionais estão a ser orientados por antigos membros das FARC para locais onde poderão estar alguns corpos enterrados. Os ex-guerrilheiros estão detidos e, à troca de penas de prisão mais curtas, estão a ajudar as autoridades a localizar os restos mortais as vítimas deste sangrento conflito.



Alvaro Polo lidera a equipa de busca da Procuradoria-geral colombiana e lembra que as “evidências” apontavam para “cerca de 50 mil desaparecidos”. “Com estes novos testemunhos, podemos apontar para 70 mil ou mesmo 80 mil no total. Podemos esperar um aumento de 20 a 30 por cento no número de desaparecidos”, avisou Polo.

Pelo menos desde 2007 foram recuperados cerca de 6000 cadáveres. Alguns, aos bocados. Metade foi identificada e restituída às famílias. O resto continua por identificar, parte destes sem qualquer esperança de alguma vez vir a sê-lo.

A delegação da Cruz Vermelha na Colômbia estima serem cerca de 70 mil os desaparecidos e esse número, a confirmar-se, torna o conflito colombiano num dos mais graves de toda a América Latina. Na Guatemala, por exemplo, a guerra civil provocou mais de 45 mil desaparecidos. Durante o regime militar argentino, desapareceram cerca de 30mil pessoas. A ditadura chilena fez 3 mil desaparecidos.



A Colômbia vive neste momento um momento de acalmia. Às tréguas anunciadas de forma unilateral a partir de 20 de julho pelas FARC, o presidente colombiano Juan Manuel Santos respondeu sábado com a ordem de suspensão dos bombardeamentos nos territórios controlados pelas guerrilhas revolucionárias.

O chefe de Estado dá, no entanto, um prazo de 4 meses para que se chegue a um acordo que ponha fim a mais de meio século de conflito. Se até novembro, não houver avanço, o Presidente ameaça retirar o Governo das negociações de Havana.