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Iraque: Um ano após o "massacre de Sinjar", refugiados yazidi clamam por ajuda

Aconteceu há um ano um dos mais sangrentos ataques no norte da Iraque pelo grupo Estado Islâmico (ISIL, na sigla inglesa): o chamado “massacre de

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Iraque: Um ano após o "massacre de Sinjar", refugiados yazidi clamam por ajuda

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Aconteceu há um ano um dos mais sangrentos ataques no norte da Iraque pelo grupo Estado Islâmico (ISIL, na sigla inglesa): o chamado “massacre de Sinjar.”

Cerca de 200 mil pessoas tiveram de fugir de Sinjar, no Curdistão iraquiano, muitas para os pontos mais altos do Monte Sinjar, para escapar aos “jihadistas”. Milhares de pessoas foram mortas, pelos “jihadistas” em nome de Alá. Outras, morreram na difícil fuga.

Esta segunda-feira, Erbil, a maior cidade do Curdistão turco, foi palco de uma manifestação a favor da minoria Yazidi junto à delegação das Nações Unidas.

“Estamos aqui para pedir proteção para os refugiados Yazidi. Somos uma minoria, por isso precisamos de proteção face ao terrorismo do ISIL. Em especial as nossas mulheres que ainda estão cativas e a ser mal tratadas”, explicou Awaz Khalil, uma manifestante.



De acordo com o governo curdo iraquiano, após a ofensiva, mais de 5000 yazidis foram feitos reféns pelos “jihadistas”. Cerca de 1200 terão sido mortos durante a ofensiva, 2000 terão conseguido escapar. Mais de duas centenas terão morrido na fuga e cerca de 800 estarão ainda desaparecidos.

Ao todo, existem mais de 300 mil deslocados Yaziri no Iraque a precisar de ajuda para ultrapassar mais um quente verão iraquiano.

Um relatório das Nações Unidas publicado em março sugere ter sido cometido um genocídio contra grupos étnicos e religiosos do Iraque, incluindo a minoria Yazidi. O documento foi elaborado com base em entrevistas a mais de 100 testemunhas ou sobreviventes dos ataques no Iraque entre junho de 2014 e fevereiro deste ano.



Entre os casos relatados está a “matança brutal e direcionada a centenas de homens e rapazes yazidis nas planícies de Ninewa, em agosto de 2014”. “Mulheres yazidis que escaparam relataram ter sido vendidas ou oferecidas como ‘prendas’ a combatentes do ISIL. As testemunhas descreveram violações a raparigas tão jovens como 6 ou 9 anos de idade e um episódio em que membros do ISIL se riam, sentados, enquanto duas adolescentes eram violadas na sala ao lado”, lê-se no relatório da ONU.

Os rapazes entre os 8 e os 15 anos de idade, também sofriam “esperiências horríveis”. “Eram separados das mães, levados para locais no Iraque e na Síria e forçados a converterem-se ao Islão. Eram sujeitos a treinos religiosos e militares, incluindo o disparo de armas e roquetes, e eram forçados a assistir a decapitações”, prossegue o documento, citando o que um jovem escutou dos captores: “Este é a tua iniciação à ‘jihad’. Agora, és um rapaz do Estado Islâmico.”

[ Leia aqui o relatório publicado pela ONU a 19 de março de 2015 ]