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Grécia: Lesbos submersa por milhares de migrantes

Centenas de migrantes, na maioria sírios, continuam a chegar diariamente às ilhas gregas do mar Egeu. A newborn, a girl throwing stones & happy

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Grécia: Lesbos submersa por milhares de migrantes

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Centenas de migrantes, na maioria sírios, continuam a chegar diariamente às ilhas gregas do mar Egeu.

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Sem trabalho, sem vida, só a guerra. O que procuramos é uma vida que não podíamos ter na Síria.

Chegam em botes pneumáticos, como aqui na ilha de Lesbos, vindos da costa da Turquia. São sete da manhã, e nas praias de Eftalou e Skamnia voluntários esperam os clandestinos com água e comida. Fogem da guerra.

Sem trabalho, sem vida, só a guerra. Precisamos de ter uma vida. O que procuramos é uma vida que não podíamos ter na Síria“, diz um jovem sírio.

Cada uma destas pessoas pagou três mil dólares aos passadores por uma viagem de cerca de duas horas e meia até Lesbos, a partir de Ayvalık e Canakkale, na Turquia“, explica o correspondente da euronews Apostolos Staikos.

Para trás, na praia, ficam os coletes salva-vidas e outros pesos desnecessários. Homens, mulheres e crianças começam uma caminhada de 8 km, até à povoação de Molyvos, na costa norte da ilha. Alguns estão demasiado cansados e passam a noite na beira da estrada.

Percurso dos migrantes na ilha de Lesbos

Vêm cheios de esperanças, nem sempre conscientes de que a realidade que os espera na Europa não é exactamente como a imaginam.

Caminhámos quatro horas da praia atá aqui. Dormimos na rua. Agora temos gente boa que nos ajuda. Queremos ir para outro sítio, onde estejamos bem, e precisamos de ajuda“, diz uma mulher síria.

Num dos dois principais campos de refugiados da ilha são acolhidos os sírios (Karra Tepe), no outro aqueles que vêm do Afeganistão, Paquistão e Iraque (Morias). Aqui a situação é dramática – a água, a comida e as tendas não chegam para tanta gente. Lesbos tem atualmente mais de dez mil clandestinos e todos os dias chegam cerca de mil.

A ajuda humanitária não chega para todos

Para os migrantes, a Grécia é só uma passagem para outros países, explica Elli Vlassi, voluntária da Cruz Vermelha:

Dizem todos que querem ir para a Suécia ou para a Alemanha. Querem entrar na Europa, mas não querem ficar na Grécia. Dizem que se sentem isolados, por ser uma ilha.

Dimensão das chegadas à Grécia:


2014
43 500


julho 2015
50 242


janeiro – meados de agosto 2015
160 000

O movimento dos migrantes que atravessaram o Mediterrâneo em 2015:


Total
264.500


Grécia
160.000


Itália
104.000


Espanha
1.950


Malta
100

A última paragem em Lesbos é o porto de Mytilene, a cerca de 50km das praias onde puseram pé na ilha. Muitos chegaram a pé a Mytilene. Estão impacientes por obter um documento que lhes conceda o estatuto de refugiado de guerra – agora dizem-se todos sírios.

A próxima etapa, assim que consigam embarcar no “ferry” para Atenas, é chegar à capital grega, de onde querem seguir viagem rumo ao objetivo – os países do espaço Schengen, a zona europeia de livre circulação.