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Irá o espaço Schengen resistir à crise dos migrantes?

Seguindo o exemplo da Alemanha, a Áustria suspendeu a liberdade de movimentos prevista no Acordo de Schengen e vai enviar o exército para controlar as fronteiras, tal como já fez a Hungria.

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Irá o espaço Schengen resistir à crise dos migrantes?

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Seguindo o exemplo da Alemanha, a Áustria suspendeu a liberdade de movimentos consagrada no espaço Schengen e vai enviar o exército para controlar as fronteiras, tal como já fez a Hungria.

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Depois do euro - cuja crise passou para segundo plano nas últimas semanas - é o espaço Schengen que parece desmoronar-se como um castelo de cartas numa União Europeia cada vez mais desunida.

Centenas de migrantes tiveram de passar a noite num abrigo improvisado na estação ferroviária de Salzburgo porque a reintrodução dos controlos entupiu o fluxo dos que querem chegar ao coração da Europa, em especial à Alemanha.

O governo alemão justificou a viragem de 180º com a necessidade de saber “quem” entra e “qual é o seu passado”, afirmou o ministro do Interior, Thomas de Maizière. Uma semana depois de garantir que não fecharia a porta aos refugiados, Berlim reintroduziu os controlos fronteiriços.

Os engarrafamentos por causa dos controlos policiais nas principais estradas e gares, que servem de porta de entrada na Alemanha, marcaram as imagens desta segunda-feira.

Depois do euro, cuja crise passou para segundo plano nas últimas semanas, é o Acordo de Schengen – a livre circulação criada há 30 anos e implementada uma década depois, em 1995 – que parece desmoronar-se como um castelo de cartas numa União Europeia cada vez mais desunida.

Para além da Alemanha, Áustria e Hungria, também a Eslováquia e a Holanda instauraram controlos nas fronteiras. Polónia e França admitem fazer o mesmo.

Neste cenário, não admira que o Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados afirme que “a Europa estava totalmente impreparada” para lidar com esta crise. Mas os apelos de António Guterres para que a União Europeia ponha “a casa em ordem” acabaram por não ter eco em Bruxelas e as decisões voltaram a ser adiadas, agora para outubro.

À margem da política, a sociedade civil dá mostras de solidariedade, como é o caso em Augsburgo, na Alemanha, onde um hotel abriu as portas aos refugiados em troca de colaboração nas tarefas quotidianas do estabelecimento.