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A Grécia virou-se outra vez para Tsipras

O homem que venceu as eleições legislativas gregas era, há apenas quatro anos, um jovem político não muito conhecido que ousava fazer frente às

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A Grécia virou-se outra vez para Tsipras

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O homem que venceu as eleições legislativas gregas era, há apenas quatro anos, um jovem político não muito conhecido que ousava fazer frente às grandes potências europeias e aos credores internacionais. Mas Alexis Tsipras tornou-se primeiro-ministro no passado mês de janeiro. Em agosto, uma cisão no Syriza forçou a sua demissão. Entretanto, o braço de ferro com Bruxelas deixou as suas marcas entre os gregos, não o suficiente para não lhe darem uma nova vitória.

Foi com a palavra “esperança” que o percurso de Tsipras começou, numa luta contra a austeridade, contra os planos da troika. Tal como da primeira vez, o eleitorado deu-lhe o voto de confiança, mas sem maioria. Tsipras sempre afirmou querer mudar o destino de um país que parecia caminhar para o abismo. Mas para isso, aguardava-o um combate cerrado com a Europa.

Os encontros com representantes do Banco Central Europeu, da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, que acabou por abandonar as negociações, multiplicaram-se. Tsipras não baixou os braços e, num golpe inesperado, colocou nas mãos dos gregos a decisão de aceitar ou não as imposições dos credores.

“O ‘não’ significa que podemos pressionar para obter um acordo economicamente viável que ofereça uma solução para a nossa dívida. Um acordo que não prejudique continuamente os nossos esforços para levantar de novo a economia e a sociedade grega”, declarava.

E o “não” vence o referendo. Mas, uma vez mais, o destino foge das mãos dos gregos. Tsipras regressa a Bruxelas, confiante e sorridente. No entanto, é forçado a ceder. A Grécia acaba por pedir, em julho, um terceiro resgate, no valor de 86 mil milhões de euros, ao longo de três anos. Isto é, mais austeridade. Cerca de 40 deputados do Syriza rejeitam liminarmente o novo plano de ajuda e batem com a porta.

Tsipras enfrenta mais um escrutínio: “Tenho uma vontade profunda, do ponto de vista ético e político, de submeter ao vosso julgamento aquilo que já consegui fazer, as conquistas e os erros.”

E na hora da verdade, a Grécia escolheu-o outra vez.