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Frontex: As críticas à precisão do número de migrantes chegados à UE

A agência europeia de controlo das fronteiras, Frontex, está a ser criticada, depois de ter reconhecido uma dupla contagem dos migrantes chegados à

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Frontex: As críticas à precisão do número de migrantes chegados à UE

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A agência europeia de controlo das fronteiras, Frontex, está a ser criticada, depois de ter reconhecido uma dupla contagem dos migrantes chegados à União Europeia este ano.

Segundo a Frontex, cerca de 710 mil migrantes entraram na UE nos primeiros nove meses do ano. Mas a agência admitiu, mais tarde, que alguns migrantes foram contabilizados duas vezes: na fronteira grega e aquando da reentrada no espaço europeu, na Hungria ou na Croácia, após a viagem pelos Balcãs.

Nando Sigona, especialista de migrações na Universidade de Birmingham, acusa a Frontex de ligeireza na revelação dos dados, tendo em conta o impacto dos números junto do público e no debate político sobre as migrações.

A porta-voz da Frontex reiterou, à euronews, que a agência admitiu a dupla contagem após a publicação dos dados na terça-feira (13 de outubro). “Emitimos uma clarificação”, adiantou. Mas acrescentou: “Usamos apenas os dados fornecidos pelos Estados membros”.

A representante da agência explica que publicaram o número de migrantes que entraram na Hungria, porque era a única forma de contabilizar as pessoas que viajam rumo a norte e à União Europeia através dos Balcãs.

A Hungria declarou que, em setembro, 204 mil pessoas atravessaram a sua fronteira sem o devido passaporte e visto, ou seja, 13 vezes mais do que no mesmo período do ano passado.

Apesar das críticas, a porta-voz da Frontex, interrogada pela euronews, garante que a agência vai continuar a publicar os números da mesma forma, mas o documento será acompanhado de uma nota sobre a dupla contabilidade.

A euronews comparou os números da Frontex com os do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (UNHCR).

Segundo a agência da ONU, 588 247 pessoas chegaram à União Europeia, por via marítima, entre janeiro e outubro. Já a Frontex contabilizou cerca de 710 mil entradas nas fronteiras da UE entre janeiro e setembro.

Como o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados não fornece os dados da Hungria, os dados mostram que a Frontex contabilizou mais 119 mil pessoas.

Além disso, aos números da Hungria devem ser subtraídos todos os cidadãos dos países dos Balcãs. A Frontex não tem números específicos, mas estima que 30 mil kosovares ou albaneses tenham entrado na UE entre janeiro e junho.

Os números das entradas na União Europeia podem por isso estar também sobreavaliados, já que os dados não incluem os migrantes que passaram sem serem detetados, incluindo os que chegaram à Grécia e foram depois conduzidos para Itália por traficantes.

Quer se trata de números sob ou sobreavaliados, o certo é que a Europa está face a uma crise. Os dirigentes da UE reúnem-se de novo esta semana para decidir a repartição dos migrantes entre os países membros.