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Avramopoulos: "A Europa vai precisar de migrantes no futuro"

De visita a Malta, para acertar agulhas sobre a crise migratória, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) e de mais de 30 países

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Avramopoulos: "A Europa vai precisar de migrantes no futuro"

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De visita a Malta, para acertar agulhas sobre a crise migratória, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) e de mais de 30 países africanos reconheceram, antes do arranque da cimeira de La Valleta, esta quarta-feira, que devem cooperar para deter a migração ilegal e encontrar vias de acesso legal ao velho continente.

A Europa continua a lutar para encontrar uma resposta efetiva para a crise de refugiados, o maior desafio do bloco desde a crise das dívidas soberanas. No entanto, devido à ascensão de partidos de extrema direita em muitos Estados-membros, continua a não estar claro se a UE é capaz de implementar reformas duradouras e comuns em matéria de asilo. O assunto está em destaque na entrevista exclusiva da Euronews ao comissário europeu responsável pela Imigração, Assuntos Internos e Cidadania, Dimitris Avramopoulos.

Efi Koutsokosta, euronews – A cimeira de Malta decorre até quinta-feira em La Valletta. Quais as expetativas em relação ao desfecho do encontro?

Dimitris Avramopoulos, comissário europeu da Imigração, Assuntos Internos e Cidadania – Desde logo, partilhar um entendimento comum da situação, no que diz respeito à crise de refugiados e ao problema da migração. Os países africanos têm de compreender que enquanto a nossa ajuda em termos de desenvolvimento continuar, ao mesmo tempo, precisamos do apoio e da ajuda deles para gerir o problema da migração. Têm de aceitar regressos aos países deles e, claro, trabalhar juntos para criar vias legais para os que querem vir para a Europa. Gostaria de aproveitar para anunciar que ao longo dos primeiros dois meses do ano que vem a Comissão Europeia vai apresentar uma proposta completa, compreensiva, para a migração legal. Porque – sendo claro – a Europa vai precisar de migrantes no futuro.

euronews – Sabemos que cerca de 140 pessoas foram redistribuídas em menos de dois meses no contexto do mecanismo de recolocação e do sistema de quotas. Não é um número baixo? Continua a ser realista redistribuir 160 mil pessoas?

DA – Há poucas dúvidas de que os números são bastante baixos. Foi apenas o princípio. A primeira operação de redistribuição arrancou em Itália, há um mês, e em Atenas há duas semanas. Diria que se trata de um começo. Temos um longo caminho a percorrer para poderemos vir a dizer que estamos satisfeitos. Acredito que desde que sigamos em frente e a partir do momento em que todos os Estados-membros decidirem fazer parte desde projeto e esquema de redistribuição as coisas vão melhorar.

euronews – Mas muitos Estados-membros não estão a responder.

DA – Até ao momento, apenas 12 países aceitaram fazer parte. Por isso, as coisas começaram a mudar. O ambiente é mais positivo e acredito que no final todos aceitarão acolher refugiados nos respetivos países.

euronews – A meta das 160 mil pessoas é, então, realista?

DA – Pode tornar-se realista, mas, como referi, não começámos muito bem. Fui muito aberto ao dizer que não estava satisfeito com os primeiros números. Mas o sistema, o programa, tem de começar a funcionar.

euronews – Falemos agora de outro plano ambicioso da Comissão relacionado com os “hotspots”, que poderá ajudar a gerir o grande fluxo de migrantes e refugiados. Muitas pessoas no terreno, em particular nas ilhas gregas, dizem que estes abrigos e centros de registo de migrantes não funcionam, pelo menos por agora. A Grécia está preparada para receber todos estes refugiados durante o inverno que se aproxima?

DA – As redistribuições não podem funcionar sem os “hotspots.” Por isso, é importante saber que os “hotspots” em Lesbos e em outras partes da Europa existem para avaliar todos os casos e não para manter as pessoas na ilha por mais de 24 horas. Depois, os refugiados serão transferidos para o continente e a partir daí para os outros Estados-membros.

euronews – Então a Grécia estará preparada no final do mês com todos estes procedimentos?

DA – É um compromisso e durante os últimos dois meses as coisas estão a mover-se mais rápido na Grécia.

euronews – Então está otimista em relação ao desfecho da cimeira de La Valletta?

DA – Neste tipo de matérias é preciso ser-se otimista. O momento é uma oportunidade única para falar francamente. Esperemos que não seja mais uma cimeira em que todos falam e depois regressam a casa sem ter feito coisa alguma.