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Espanha: "Cidadãos" e "Podemos", os novatos da política espanhola

“Cidadãos” é um dos novos partidos que surgiram com a crise económica e política em Espanha. Surgiu na Catalunha, onde se tornou na segunda força

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Espanha: "Cidadãos" e "Podemos", os novatos da política espanhola

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“Cidadãos” é um dos novos partidos que surgiram com a crise económica e política em Espanha. Surgiu na Catalunha, onde se tornou na segunda força política no parlamento regional, após as eleições de 27 de setembro. As sondagens colocam o partido em terceiro ou mesmo em segundo lugar, nas eleições legislativas de 20 de dezembro.

O líder, Albert Rivera, foi membro da juventude do Partido Popular. Em 2006 fundou esta nova formação, cujas bases assentam no liberalismo económico, na defesa da Unidade de Espanha, contrariamente aos nacionalismos periféricos, e no objetivo de acabar com o sistema bipartidário.

A sua mensagem assenta em colocar em pé de igualdade os tradicionais partidos que governaram Espanha, após a ditadura de Francisco Franco.

“Não queremos pactuar com Rajoy e Sánchez. Queremos ganhar-lhes, o que é muito diferente… Há um pacto entre o PP e o PSOE para que tudo continue na mesma. Um pacto para continuarmos com uma partidocracia obsoleta. Há um pacto para continuar a esconder a corrupção”, afirma Rivera.

Os partidários deixaram-se seduzir pela novidade e pela promessa de verdadeiras reformas, que promete colocar em marcha.

“Tenho 63 anos e esta é uma nova chama. Algo que me parece muito bem”, diz um espanhol.

Uma espanhola diz acreditar “que Albert Rivera vai ser o próximo presidente do governo. Apoio-o pois penso que precisamos de mudar, em especial na Catalunha. Acredito que as propostas são inovadoras e totalmente viáveis”, assegura.

Devido ao número de habitantes, a Catalunha é uma das regiões-chave para vencer as legislativas. Sérgio del Campo é o cabeça de lista do “Cidadãos” em Tarragona. O seu discurso ecoa nos espanhóis que sofreram com a austeridade.

“Acima de tudo, vamos reforçar os pilares básicos de qualquer Estado democrático de direito que são a saúde pública, a educação pública e as pensões”, garante Sérgio del Campo.

Se a mensagem do “Cidadãos” teve eco na Catalunha, o “Podemos”, outra das novas formações com aspirações políticas, já implementou as suas propostas na Andaluzia, onde governa alguns dos mais importantes municípios.

É o caso de Cádis, na costa Atlântica. Nesta região, o desemprego ultrapassa os 37%, o mais elevado da União Europeia, e o desemprego jovem atinge os 75%.

Noelia Vera
, jornalista de 30 anos, encabeça a lista do “Podemos”, em Cádis, sendo, também, responsável por toda a comunicação do partido.

Vera anuncia que “temos cinco garantias essenciais: 1) a defesa dos direitos sociais; 2) a defesa, também, das lutas contra a corrupção. A justiça tem de ser independente dos partidos políticos que estão no governo. Pensamos, também, que é necessário respeitar a diversidade dos povos de Espanha. Por outro lado, pensamos que deve haver mais democracia e mais transparência.”

De acordo com as sondagens, o “Podemos” ocupa o quarto lugar nas intenções de voto, podendo, assim, conquistar alguma influência política. O partido surgiu do movimento de jovens 15M.

Uma jovem acredita que o país está a precisar de uma mudança. Estamos aborrecidos com o que estamos a viver, nos últimos anos, especialmente os jovens. Estamos à espera que nos deem uma oportunidade.”

Pablo Iglésias é o líder. Este professor de ciência política da Universidade Complutense de Madrid, e antigo eurodeputado, apresenta-se como a “verdadeira esquerda”, aquela que diz a verdade àqueles, a quem ele qualifica de “casta”.

“Quando me dirijo a todos aqueles que estão a pensar em votar e não sabem em quem, peço-lhes para refletirem, para pensarem nas pessoas. Chegou a hora de acabar com os insolentes, com os criminosos, aqueles que têm demonstrado que a política era um meio para enriquecer. Fazem falta pessoas preparadas, pessoas decentes que não façam promessas mas que ofereçam garantias”, assegura o líder do “Podemos”.