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Charlie Hebdo: uma ferida aberta um ano depois

“Um ano depois o assassino continua à solta.” É desta forma que o semanário satírico francês Charlie Hebdo assinala o primeiro aniversário sobre o

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Charlie Hebdo: uma ferida aberta um ano depois

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“Um ano depois o assassino continua à solta.” É desta forma que o semanário satírico francês Charlie Hebdo assinala o primeiro aniversário sobre o atentado de Paris, a 7 de janeiro, onde foram mortas 12 pessoas. Números que contribuíram para que a França se tornasse em 20015, o segundo país do mundo onde foram mortos mais jornalistas.

Esta é uma edição especial com uma tiragem de um milhão de exemplares. Os sobreviventes não escondem que as feridas continuam abertas.

“Estamos todos traumatizados, é preciso dizê-lo. Jamais vamos esquecer o que aconteceu. É algo com o qual temos de viver. É muito complicado, mas não vamos baixar os braços porque os terroristas não podem ganhar” refere Eric Portheault, diretor financeiro do Charlie Hebdo.

Alvo de frequentes ameaças, desde a publicação das caricaturas de Maomé, o semanário foi incendiado em novembro de 2011. Charb, o diretor da publicação, por exemplo, estava sob proteção policial que em janeiro de pouco ou nada valeu quando homens armados invadiram as instalações do jornal. Várias pessoas foram mortas, no interior e no exterior do edifício, entre elas polícias e ilustradores.

Nascidos e radicalizados em França, os irmãos Kouachi foram identificados pela polícia como dois dos homens responsáveis pelo ataque contra o Charlie Hebdo.

Para deter os irmãos foi montada uma mega operação no nordeste de Paris. Dezenas de casas foram passadas a pente fino e a policia pediu ajuda da população para localizar os suspeitos. Os homens acabaram por ser mortos pelas autoridades a 09 de janeiro durante o assalto a uma tipografia, em Dammartin-en-Goële, a cerca de 40 quilómetros de Paris.

No mesmo dia, Amedy Coulibaly um amigo dos irmãos Kouachi fazia vários reféns num supermercado judaico na zona oriental da capital francesa. A operação terminou com cinco mortos, entre elas Coulibaly, suspeito de ter matado uma agente da polícia no dia anterior.

O Governo francês decretou um dia de luto nacional. Nas ruas, milhares de pessoas prestaram homenagem às vítimas e manifestaram-se contra o terrorismo. Vários líderes mundiais marcaram presença na maior marcha de sempre – a 11 de janeiro – que terá reunido perto de quatro milhões de pessoas. Muitas outras participaram, simbolicamente, nesta marcha através das redes sociais.

O ano de 2015 começou com o ataque contra o Charlie Hebdo, em janeiro, e terminou com atentados de novembro, em Paris, onde foram mortas mais 130 pessoas.