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Óscares 2016 (vencedores): A noite de DiCaprio e do "Caso Spotlight"

Retrato do jornalismo de investigação a caso de pedofilia na igreja é distinguido pela Academia de Hollywood. Ator de "O Renascido" ganha primeira estatueta à sexta nomeação e o realizador Alejandro I

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Óscares 2016 (vencedores): A noite de DiCaprio e do "Caso Spotlight"

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À sexta nomeação foi de vez. Aos quarenta e um anos, Leonardo DiCaprio ganhou finalmente um Óscar da Academia de Cinema de Hollywood. Apesar das fortíssimas interpretações de Eddy Redmayne (vencedor no ano passado com “A Teoria de tudo”), em “A Rapariga Dinamarquesa”, e de Bryan Cranston, em “Trumbo”, a história de sobrevivência e vingança do explorador “Hugh Glass”, em “O Renascido”, valeu a estatueta ao ator de 41 anos.

Point of view

Fazer 'O Renascido' foi uma das colaborações e experiências mais recompensadoras da minha vida. Nada disto teria sido possível sem o talento, visão e determinação do Alejandro

DiCaprio foi nomeado para um Óscar pela primeira vez aos 19 anos, como ator secundário, pelo trabalho no filme “Gilbert Grape” (1993). Seguiram-se nomeações como ator principal por “O Aviador” (2005), “Diamantes de Sangue” (2007) e “O Lobo de Wall Street” (2014), o qual também lhe valeu a nomeação como produtor. A glória chegou em 2016, com “O Renascido.”

“Estou muito agradecido à Academia pelo reconhecimento a este filme. Fazer ‘O Renascido’ foi uma das colaborações e experiências mais recompensadoras da minha vida. Nada disto teria sido possível sem o talento, visão e determinação do Alejandro (Gonzalez Iñarritu). A nossa equipa também merecer partilhare deste momento. Juntos, criaram uma experiência cinematográfica verdadeiramente única”, disse DiCaprio, no palco do Dolby Theatre, de Los Angeles, felicitando, por fim, os restantes nomeados este ano ao Óscar de Melhor Ator.

“O Renascido” valeu ainda ao realizador mexicano Alejandro Gonzalez Iñarritu e ao diretor de fotografia Emmanuel Lubezki repetirem o triunfo conseguido no ano passado com “Birdman – A Inesperada Virtude da Ignorância.”

(Bem dito, Alejandro.
“Tenham certeza de uma vez por todas de que a cor da nossa pele
se torna tão irrelevante quanto o comprimento do nosso cabelo.”)

O Óscar mais desejado, o de melhor filme, distinguiu este ano o jornalismo de investigação. “O Caso Spotlight”, produzido a partir da história do jornalista lusodescendente Michael Rezendes e da investigação do jornal Boston Globe a um caso de pedofilia na igreja católica, ganhou o principal galardão da noite.

O filme de Tom McCarthy somou ainda mais uma estatueta, a de melhor Argumento Original, que o realizador partilhou com Josh Singer.

(O melhor filme ganhou o Melhor Filme.)

O Óscar de melhor atriz confirmou as previsões e o favoritismo de Brie Larson.

A atriz de 26 anos foi distinguida por “Quarto”, a história de uma jovem raptada aos dezassete anos, violada pelo raptor, mãe e refém durante sete anos até conseguir fugir com ajuda do filho, “Jack” (Jacob Tremblay) , de apenas 5 anos.

Um dos grandes vencedores da noite, embora sem ganhar nenhum dos prémios principais, foi “Mad Max – Estrada da Fúria”.

O mais recente capítulo da saga criada em 1979 por George Miller foi o filme que arrecadou mais Óscares este ano, seis, todos em categorias técnicas, com destaque para as duas de som, melhor montagem e melhor edição.

Os melhores efeitos visuais distinguiram este ano o trabalho de Mark Williams Ardington, Sara Bennett, Paul Norris e Andrew Whitehurstdouble-dagger em “Ex-Machina”, de Alex Garland.

O filme conta também com uma interpretação marcante de Alicia Vikander, vencedora da estatueta de Melhor Atriz Secundária, mas por “A Rapariga Dinamarquesa.”

O Óscar de Melhor Filme de Animação premiou, desta vez, uma produção conjunta da Pixar-Disney.

“Divertida-Mente” somou a distinção de Hollywood a dezenas de outras em mais de 50 competições.

Referência final para Ennio Morricone. O músico e compositor italiano recebeu aos 87 anos a primeira estatueta a distinguir uma obra sua, no caso, a banda sonora de “Os Oito Odiados”, de Quentin Tarantino. Tal como DiCaprio, a distinção de Morricone aconteceu à sexta nomeação. Em 2007, Morricone já havia recebidoa um Óscar, mas honorário, pela carreira já épica ligada à sétima arte.

 

Vencedores dos Óscares 2016

- Melhor filme: “O Caso Spotlight”;
– Melhor realizador: Alejandro G. Iñárritu (“O Renascido”);
– Melhor ator: Leonardo DiCaprio (“O Renascido”);
– Melhor atriz: Brie Larson (“O Quarto”);
– Melhor ator secundário: Mark Rylance (“A Ponte dos Espiões”);
– Melhor atriz secundária: Alicia Vikander (“A Rapariga Dinamarquesa”);
– Melhor filme de animação: “Divertida-mente”;
– Melhor argumento original: “O Caso Spotlight” (Tom McCarthy e Josh Singer);
– Melhor argumento adaptado: “A Queda de Wall Street” (Charles Randolph e Adam McKay);
– Melhor filme estrangeiro de língua não inglesa: “O Filho de Saul” (Hungria);
– Melhor desenho de produção: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Colin Gibson);
– Melhor fotografia: “O Renascido” (Emmanuel Lubezki);
– Melhor guarda-roupa: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Jenny Beavan);
– Melhor Montagem: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Margaret Sixel);
– Melhores efeitos visuais: “Ex Machina” (Andrew Whitehurst, Paul Norris, Mark Ardington e Sara Bennett);
– Melhor caracterização: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Lesley Vanderwalt, Elka Wardega e Damian Martin);
– Melhor Montagem de Som: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Mark Mangini e David White);
– Melhor Mistura de Som: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Chris Jenkins, Gregg Rudloff e Ben Osmo);
– Melhor banda Sonora: “Os Oito Odiados” (Ennio Morricone);
– Melhor canção original: “Writing’s on the wall” (“007 — Spectre”), Sam Smith e Jimmy Napes;
– Melhor documentário: “Amy”, de Asif Kapadia;
– Melhor documentário em curta-metragem: “A Girl in the River: The Price of Forgiveness” ;
– Melhor curta-metragem: “Stutterer”, de Benjamin Cleary e Serena Armitage;
– Melhor curta-metragem de animação: “Bear Story”, de Gabriel Osorio