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Os EUA já encontraram os candidatos à Casa Branca?

As vitórias de Donald Trump e Hillary Clinton na maratona da Super Terça-feira fazem com que muitos os anunciem já como os candidatos às eleições

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Os EUA já encontraram os candidatos à Casa Branca?

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As vitórias de Donald Trump e Hillary Clinton na maratona da Super Terça-feira fazem com que muitos os anunciem já como os candidatos às eleições presidenciais do próximo dia 8 de novembro.

A verdade é que, pelo menos, ambos assumiram a dianteira da corrida à investidura pelos respetivos partidos.

No seio dos Republicanos, o avanço de Trump, que se autointitula o “unificador”, está a gerar uma cisão profunda. Vários senadores e deputados estão a distanciar-se do controverso bilionário que pretende construir um muro na fronteira com o México e interditar a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos.

No campo democrata, Bernie Sanders perdeu à justa Massachussets para a antiga secretária de Estado. Clinton arrecadou a generalidade dos votos a Sul. No entanto, tanto de um lado como doutro, os adversários internos dizem-se longe de deitar a toalha ao chão. Ainda falta pronunciarem-se 35 Estados.

O jornalista Alasdair Sanford falou com o professor Peter Trubowitz, da London School of Economics, especialista em política americana, para lhe perguntar: estamos já perante os candidatos definitivos? Em novembro teremos Clinton contra Trump?

Peter Trubowitz: É cedo demais para considerar estes resultados como definitivos. Mas é verdade que ambos obtiveram vitórias muito significativas. Trump venceu quer em Estados moderados, quer noutros profundamente conservadores. Clinton deu-se muito bem no Sul, como era esperado, mas também arrecadou Estados como o Massachussets, junto à terra natal de Bernie Sanders, o Vermont, uma área de que ele realmente necessitava para ganhar impulso. No caso de Trump, tanto Cruz como Kasich e Rubio vão tentar evitar que ele alcance a maioria absoluta do número de delegados para conseguir derrotá-lo na convenção da investidura republicana.

euronews: Escreveu sobre a predominância do fator Trump nestas eleições. Fora dos Estados Unidos há uma certa incompreensão sobre alguém com posições tão extremas ter chegado tão longe. O que é que na realidade dos Estados Unidos explica este facto?

PT: É preciso perceber que Donald Trump conseguiu capitalizar uma revolta profunda que reina nos Estados Unidos contra a forma como Washington governa. Os salários estão estagnados, as desigualdades agravaram-se, há uma disfunção política que faz com que os americanos não confiem em Washington. Isto vale sobretudo para os republicanos – apenas 6% deles afirmam ter confiança em Washington. O resto considera que os políticos servem apenas os interesses dos ricos e poderosos. Donald Trump apresenta-se contra tudo isto, como um independente que não precisa do dinheiro de ninguém. “Independente” no sentido em que não faz parte do aparelho de Washington. É isso que seduz os eleitores republicanos nos Estados Unidos.

euronews: Se Trump for investido pode conquistar o eleitorado americano?

PT: Essa é a grande questão para a qual ninguém tem resposta. Estamos em território desconhecido. Há que desconfiar daqueles que dizem saber a resposta… Estamos a falar de alguém que seduz uma vasta fatia do eleitorado republicano. Se ele é ou não capaz de cativar eleitores independentes, moderados… É um veredito que está em aberto.

euronews: Qual é o ponto fraco de Hillary Clinton? Trump afirma que ela está no círculo de poder “há demasiado tempo”. Isso é uma vantagem ou uma desvantagem para Clinton?

PT: Ambas. A vulnerabilidade de Clinton está relacionada com o eleitorado mais jovem. E ela ainda não conseguiu chegar nem aos jovens, nem particularmente aos eleitores brancos do sexo masculino. Sanders está a ganhar nessas frentes. Uma das coisas que ela tem de fazer é consolidar a posição nestes campos no seio do Partido Democrata.

euronews: O que é que pode acontecer se a corrida se centrar em Clinton e Trump? Será particularmente violento?

PT: A resposta mais sintética é “sim”. Violento e brutal. Porquê? Ambos têm uma taxa de impopularidade superior a 50%. Se forem realmente os dois candidatos às eleições, teremos campanhas muito focadas nesse lado negativo para tentar agravar os resultados do campo adversário. Se, no final, tivermos esses dois candidatos, vai ser bastante feio de se ver.