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Fotografias de Andres Serrano em exposição em Avignon e Bruxelas

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Fotografias de Andres Serrano em exposição em Avignon e Bruxelas

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O Museu de Arte Contemporânea de Avignon, em França, apresenta uma exposição das obras de Andres Serrano. O artista norte-americano tornou-se célebre

O Museu de Arte Contemporânea de Avignon, em França, apresenta uma exposição das obras de Andres Serrano. O artista norte-americano tornou-se célebre graças às suas fotografias provocadoras mas não gosta de se apresentar como fotógrafo:prefere dizer que usa “a máquina fotográfica tal como um pintor usa o pincel”.

A Euronews entrevistou Andres Serrano em Avignon, no sul de França.

“Digo que não sou fotógrafo porque estudei escultura e pintura no Museu e Escola de Arte de Brooklyn, aos 17 anos. Depois de ter frequentado essa escola durante dois anos, percebi que não podia ser pintor e escultor, porque era jovem e não tinha estúdio onde trabalhar. Nessa altura, eu vivia com uma mulher que tinha uma câmara, e comecei a usá-la. Percebi que, enquanto artista, tinha encontrado a minha prática artística, graças à câmara e não ao pincéis”, contou Andres Serrano.

O sexo e a morte são alguns dos temas marcantes da obra do fotógrafo norte-americano. Andres Serrano passou três meses numa morgue para realizar uma série de retratos.

“Descobri que não gosto da morte e que não quero morrer. Na Na verdade descobri que muitas vezes as pessoas morrem de uma forma inesperada, diferente do que pensavam ou mereciam. Muitas das pessoas que fotografei na morgue não morreram numa idade avançada. Morreram em acidente horríveis, foram assassinadas, suicidaram-se, ficaram doentes. Muito poucas morreram de morte natural”, contou Serrano.

Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, Serrano desenvolveu uma série de obras sobre o tema da tortura.

“Este projeto começou em 2005, quando o New York Times Magazine me pediu um trabalho sobre a tortura, com fotos de tipo ‘Abu Ghraib’. Uma das minhas fotografias com um homem encapuçado foi publicada na capa da revista. Nunca mais tinha voltado a pensar nesse trabalho sobre a tortura até que, no ano passado, recebi uma sugestão para voltar a olhar para a questão da tortura e eu aceitei”, disse o fotógrafo norte-americano.

As obras do artista encontram-se igualmente expostas em Bruxelas, nos Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica. A mostra inclui um projeto sobre pessoas sem-abrigo.

“Fiz um projeto sobre os sem-abrigo, há dois anos, em Nova Iorque chamado “Os residentes de Nova Iorque”. Fotografei pessoas sem abrigo nas ruas. Não queria dizer ‘sem-abrigo’ porque é um lugar-comum. Por isso, escolhi o nome ‘Residentes de Nova Iorque’ para mostrar que elas viviam na cidade. O director dos Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica, o Michel Draguet, gostou do meu trabalho e pediu-me para fazer um trabalho idêntico em Bruxelas”, disse o artista.

Aos 65 anos, o artista deixou de acompanhar em permanência as modas do mundo das artes e prefere confiar no seu instinto artístico.

“Aprendi tanto com a arte, ao longo da vida, que deixei de sentir necessidade de refletir demasiado. Não estou sempre a par dos artistas que estão na moda mas conheço os clássicos. Sei o que sei e isso basta-me. A dada altura, a nossa vida fica de tal modo repleta de coisas, que basta deixá-las sair”, concluiu Andres Serrano.