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A trágica sina de novo ano para milhões de peixes-dourados no Irão

A entrada no novo ano do Irão, o Nowruz, é celebrada ao longo dos 13 primeiros dias após o adeus ao ano velho. Este ano, a festa começou a 20 de março e decorre até 1 de abril. Numa mesa especial, o p

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A trágica sina de novo ano para milhões de peixes-dourados no Irão

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Sexta-feira, 1 de abril, coincide este ano com o Dia Internacional do Ambiente no Irão. É também o dia que marca o fim das celebrações do Nowruz, o novo ano iraniano, celebrado no 13 de Farvardín, o 13.° dia do primeiro mês do calendário iraniano. Esta é um período de celebração para os iranianos, mas de triste sina para muitos peixinhos dourados incluídos na tradição destas festividades.

Point of view

Cinco milhões de peixes-dourados morrem por ano no Irão durante o Nowruz

Desta vez, porém, numa altura em que o Irão atravessa um período de abertura ao mundo, até o Presidente Hassan Rouhani decidiu alterar os hábitos e trocou o pobre peixe por uma laranja, mas expliquemos melhor do que aqui se trata.

(Feliz Nowruz para todos os meus compatriotas iranianos, onde estiverem no mundo,
e para todos os que celebram esta tradição antiga.)

A tradição no Irão manda que o novo ano seja celebrado desde o primeiro dia (20 de março, este ano) com uma mesa a que se dá o nome “Haft Sin” e na qual são colocados sete itens cujo nome comece por “s”. Hábitos mais antigos, incluem ainda a deposição na mesa de um espelho e de um peixe dentro de um pequeno aquário com água, normalmente de um peixe-dourado, o mais comum de se encontrar.

O peixe manteve-se em muitas mesas, mas com um progressivo protesto de organização ambientalistas, sublinhado por uma campanha iniciada já há alguns intitulada “Não ao Peixe-dourado”. Isto porque, no derradeiro fim das celebrações, embora exista quem os mantenha, muitos iranianos optam por deitar os peixes nos rios e lagos, julgando libertá-los, mas acabando por contribuir para a morte de milhões destes “colaboradores involuntários” na celebração do Nowruz.

A bloguer Nasim Saba vai mais longe nos protesto e alega que a utilização dos peixes nem é uma tradição iraniana, mas sim uma importação da China. “Cinco milhões de peixes-dourados morrem por ano no Irão durante o Nowruz”, garante, procurando desacreditar a comercialização destes habituais animais domésticos apenas como parte das celebrações do novo ano.

(Não deixe o peixe no rio porque é perigoso.)

Um outro blogger, o autor do Greenblog, garante por outro lado que a solução não está no boicote à comercialização dos peixes, mas em “educar as pessoas sobre a melhor forma de tratar os peixes-dourados, desde aqueles que os transportam até aos clientes que os compram”. “Em vez de toda a propaganda negativa contra o peixe-dourada, devemos melhorar a monitorização sobre os fornecedores de peixes-dourados”, lê-se no Greenblog, onde se garante também que “após uma consulta via Google” se descobriu que “na China dizem que é uma tradição importada do Irão.”

Seja como for parece que as campanhas a favor da não exploração do peixe-dourado nas festividades de novo ano deram resultado. O próprio Presidente Hassan Rouhani deu o exemplo e na mensagem de ano novo publicada este ano através das redes sociais, dentro do aquáriosobre a mesa do “Haft Sin” colocada a seu lado, , via-se uma laranja e muito pouca água.

A vice-presidente iraniana e também responsável pelo Departamento Ambiental do governo realçou este pequeno, mas significante detalhe na tradicional mesa do chefe de Estado. Massoumeh Ebtekar sublinhou inclusive o facto de Rouhani ter gasto muito menos água que o normal, o que poode ser interpretado como um apelo à poupança deste bem essencial.

(Na declaração de Nowruz, o presidente Rouhani usou uma tijela de cristal
com um citrino e muita pouca água no lugar do peixe-dourado.)

A decisão do Presidente acabou por ser muito bem recebida por muitos internautas iranianos. Houve, no entanto, quem sugerisse que se tratou de uma jogada política de Rouhani para garantir mais votos junto do eleitorado liberal nas presidenciais de 2017. Seja como for, os peixe-dourados no Irão parecem ter saído a ganhar.