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Bachar Jaffari: "Os governos são responsáveis por cada terrorista que vem para o nosso país"

Numa altura em que a oposição síria pede a suspensão das negociações sobre o processo de paz até que as armas se calem, a reação do regime de Damasco

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Bachar Jaffari: "Os governos são responsáveis por cada terrorista que vem para o nosso país"

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Numa altura em que a oposição síria pede a suspensão das negociações sobre o processo de paz até que as armas se calem, a reação do regime de Damasco não se faz esperar.
A jornalista Faiza Garah, falou com o responsável da delegação do governo sírio em Genebra, Bachar Jaffari.

Faiza Garah, euronews:
Os senhores organizaram recentemente eleições legislativas que a oposição considera ilegais…

Bachar Jaffari: “A oposição é que não é legal. Todos os que dizem que estas eleições não são legais é porque eles próprios não são legais. Isto é apenas a opinião de uma parte da oposição e não de todas as oposições. Você sabe, quando tratamos, por exemplo com a Arábia Saudita, o que é que eles querem? Querem destruir o Estado sírio. Não procuram uma solução para a crise síria. Como viu hoje eles estão a especular, há apenas alguns minutos anunciaram que vão congelar as negociações. São como as crianças, é preciso dar-lhes bombons, para que possam trabalhar e seguir o processo político”.

e: Há muitos que dizem que a Síria não é senhora das suas decisões, porque há a intervenção da Rússia, do hezbollah e dos iranianos…

B.J: “Qualquer que seja a força, o estado, a autoridade, que nos ajude a combater o terrorisme de forma clara e coordenada com o exército sírio e com o governo sírio, é bem vinda. Quer sejam os aliados russos, os hezbollah, os iranianos. Estão todos a tentar combater o terrorismo em solo sírio com o acordo do governo sírio e a pedido do governo sírio”.

e:Qual é o papel da Europa na resolução da crise síria?

B.J “Hoje temos um novo fenómeno que é o terrorismo europeu. Antes eles pensavam que havia um terrorismo árabe e islâmico. Hoje somos vítimas do terrorismo europeu, que provém de Bruxelas, de Paris, de Londres, de Espanha, da Alemanha, da Itália”.

e: Portanto, o senhor considera que a Europa apoia o terrorismo?

B.J: “Claro, esses governos facilitaram a passagem destes terroristas para a Síria e para o Iraque. Não me quer fazer crer que um terrorista que deixa Paris, Londres, Bruxelas, Boston ou a Austrália e que chega à Síria sem visto, sem passaporte, pode atravessar dezenas de estados e a fronteira turco-síria ou jordano-síria sem que os serviços de informação vigiem as respetivas operações”.

e:
“Então, quais são os estados que acusa de terrorismo?

B.J: “Por cada terrorista que vem da Europa, o governo é responsável, quer seja francês, britânico, belga, espanhol ou italiano. São os governos os responsáveis por cada terrorista que tem vindo para o nosso país. Quando os primeiros-ministros britânico, francês ou australiano ameaçam que vão retirar a nacionalidade dos terroristas que regressem à Europa, querem dizer o quê? Querem dizer que encorajam os terroristas a ficarem na Síria e a não regressarem à Europa? Se estes estados quisessem verdadeiramente acabar com os terroristas que atuam na Síria e no Iraque, tê-los-iam impedido de sair dos respetivos países”.

e: Israel realizou uma reunião inédita em território dos Golãs. Em sua opinião porque é que a fizeram agora?

B.J: “Nós temos o apoio da resolução 497 das Nações Unidas, que data de 1981. É uma resolução que foi votada por unanimidade, o que quer dizer que os Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha estavam de acordo. Esta resolução é bastante importante, uma vez que recusa categoricamente a anexação dos Golãs, a sua ocupação e a imposição de legislar sobre o território ocupado nos Golãs. A resolução considera que a anexação é caduca, nula e sem fundamento legal”.