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Fuga de informação revela pressões de Washington para incluir transgénicos no TTIP

Os Estados Unidos ameaçaram bloquear a importação de automóveis europeus se Bruxelas não abrir o mercado aos alimentos transgénicos norte-americanos

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Fuga de informação revela pressões de Washington para incluir transgénicos no TTIP

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Os Estados Unidos ameaçaram bloquear a importação de automóveis europeus se Bruxelas não abrir o mercado aos alimentos transgénicos norte-americanos.

A revelação é feita num dos 13 documentos secretos sobre as negociações do Tratado de livre comércio Transatlântico (TTIP, na sigla em inglês), que vão ser tornados públicos esta segunda-feira.

A fuga de informação, coordenada pela organização ecologista Greenpeace, tem por objetivo pôr fim à falta de transparência das negociações que duram há 3 anos.

Segundo Stefan Krug, responsável da Greenpeace na Alemanha:

“Decidimos publicar estes documentos pois todas as negociações do Tratado decorreram num ambiente de escandalosa falta de transparência. Não se trata de negociar segredos comerciais mas de questões de ambiente e de proteção dos consumidores e também de direitos dos trabalhadores de mais de 500 milhões de pessoas na Europa”.

A divulgação no sítio Internet da Greenpeace está agendada para as 11h00 desta segunda-feira, menos uma hora em Lisboa.

Os documentos confirmam os receios das organizações que rejeitam o acordo, ao revelarem, segundo a Greenpeace, “a forma como o Tratado quer colocar as decisões políticas ao serviço das grandes empresas, independentemente dos riscos para a saúde pública ou os direitos dos consumidores”.

Até hoje, tanto EUA como UE negavam que a questão dos alimentos transgénicos estivesse incluída nos capítulos do acordo.

As mais de 240 páginas de texto sobre os bastidores das negociações mostram também que Washington quer dar mais poder aos reguladores europeus, em detrimento dos legisladores nacionais, para classificar os produtos considerados perigosos para a saúde pública.

Uma forma de contornar as restrições a certos produtos, considerados potencialmente perigosos. Se os países da UE proíbem, por exemplo, 1328 produtos químicos, considerados cancerígenos, a agência reguladora da UE, proíbe apenas 11 destas substâncias.

As revelações surgem dias após Barack Obama ter-se deslocado à Europa (Londres e Hanover) para pressionar Bruxelas a assinar o acordo de livre-comércio até ao final do ano.