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Angola: Luaty Beirão em nova greve fome

O ativista Luaty Beirão está em greve de fome, em silêncio e no regime de nudez como forma de protesto contra a transferência do local de detenção​.

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Angola: Luaty Beirão em nova greve fome

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O ativista luso-angolano Luaty Beirão está em greve de fome, em silêncio e no regime de nudez como forma de protesto contra a transferência do local de detenção​.

A informação foi confirmada à Lusa, a agência de notícias portuguesa, pela irmã de Beirão, Serena Mancini.

Mancini disse também que o ativista não deseja ser transferido, pois tem a intenção de denunciar um conjunto de práticas ilegais dentro da prisão angolana onde se encontrava, instituição situada na comarca de Viana (Luanda).


Na página oficial de Luaty Beitão na rede social Facebook surgiu, entretanto, uma mensagem com referência a esta nova greve de fome do “rapper” e ativista.

Beirão tem vindo a afirmar-se como um das vozes mais fortes na oposição ao Governo de Jos​é Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.​

Foi condenado no final de março deste ano a uma pena de cinco anos e meio de cadeia, pena que começou a cumprir no dia que foi anunciada pelo tribunal, não tendo os recursos apresentados pela defesa surtido qualquer efeito.

São 17 os ativistas angolanos condenados num processo em que são acusados de conspiração contra o Estado e de associação de malfeitores.

Solidariedade em Lisboa


Mais de 500 personalidades portuguesas manifestaram quinta-feira, em Lisboa, solidariedade para com os 17 ativistas detidos em Luanda.


O antigo Primeiro-ministro angolano, Marcolino Mouco, realçou a “coragem” dos jovens, tendo em conta as intimidações que foram e continuam a ser levadas a cabo.

Marcolino Mouco falou ainda do que considera ser uma situação caricata. O facto do atual Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, “que fugiu da repressão [colonial portuguesa] liderar um Estado que hoje “reprime também jovens” que lutam pela democracia.

Para Ana Gomes, eurodeputada socialista portuguesa, Lisboa não deveria esquecer que manteve o mesmo combate contra outra ditadura: A de António de Oliveira Salazar.

“Hoje, infelizmente, vemos que, apesar de uma fachada formal de democracia nalguns países da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e, em particular, em Angola, de facto, não há liberdade, não há sequer o direito de crítica mais elementar e há repressão brutal, há um saque dos recursos do país para o enriquecimento de uma minoria de forma obscena”.

Admitindo que Portugal “tem de manter relações” com Angola, Ana Gomes lembrou, porém, que, antes de mais, “está a solidariedade com o povo angolano” e com os que “têm a coragem de falar alto e de se revoltar contra um regime cleptocrático, como é o que hoje, infelizmente rouba os recursos” de Angola.

Também o historiador português José Pacheco Pereira salientou a “coragem” dos 17 ativistas em Angola e ​relembrou que a iniciativa de solidariedade é uma “resposta” a essa mesma força dos jovens, com a possibilidade de denunciar não só o regime angolano, “mas também as cumplicidades de Portugal, de muitos setores em Portugal, com o que acontece em Angola”.

“Em Portugal hesita-se chamar corrupção àquilo que é corrupção e isso é uma razão suplementar. Compreendo que as relações de Estado para Estado são feitas independentemente do regime político. Portugal, por exemplo, torceu o nariz à Guiné Equatorial e, pelos vistos, acha que em Angola tudo corre bem, que há um sistema judicial independente”, acrescentou.