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Síria: Raides aéreos contra civis e confrontos no terreno em Alepo colocam Rússia sob pressão

Foram horas de horror as vividas quinta-feira num campo de deslocados internos sírios próximo de Samarda, na província de Idlib, junto à fronteira

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Síria: Raides aéreos contra civis e confrontos no terreno em Alepo colocam Rússia sob pressão

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Foram horas de horror as vividas quinta-feira num campo de deslocados internos sírios próximo de Samarda, na província de Idlib, junto à fronteira com a Turquia e não muito longe de Alepo, onde deveria ter começado um cessar-fogo de 48 horas.

Imagens de um ataque aéreo sobre o campo foram divulgadas nas redes sociais pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos e autenticadas pela agência de notícias Reuters.

Pelo menos 50 tendas arderam e cerca de 30 pessoas morreram, anunciou um organismo não-governamental. Os relatos de algumas testemunhas espelham o drama.

“Estamos deslocados de nossas casas pela guerra. Há pessoas a ser queimadas. Eles estão a incendiar tendas em locais restritos. Estão a pegar-lhes fogo”, afirmou um homem não identificado.

(Conselheira de Segurança da Casa Branca: “Horrorizada pelos relatos de raides aéreos
sobre um campo de deslocados sírios junto à fronteira com a Turquia.
Não há justificação possível para ataques contra civis inocentes.)

Outro, um bombeiro, sublinhou estar a lidar com “um incêndio num campo de deslocados”. “Vejam o que aconteceu. Algumas das tendas arderam. Aqui, havia um corpo”, disse, apontando para um local: “É provável que fosse de uma mulher. Levamo-lo para o hospital em Bab al-Hawa.”

Este campo de deslocados situa-se junto à cidade de Samarda, quase totalmente controlada pela Frente al-Nusra, um dos grupos rebeldes da oposição a Assad, mas com ligação estreita à Al Qaida e considerada pela comunidade internacional como uma organização terrorista.

(O continuar dos combates e raides aéreos significa que
crianças, mulheres e homens vulneráveis não têm local seguro para onde ir.)

A região onde se situa o campo de deslocados civis alvejado pelo raide aéreo localiza-se cerca de 30 quilómetros a oeste de Alepo, província onde deveria ter começado esta mesma quinta-feira um cessar-fogo entre as forças do regime de Bashar al-Assad e os grupos rebeldes da oposição, numas tréguas intermediadas por Rússia e Estados Unidas.

EUA e Reino Unido pressionam Rússia

 

A missiva de Assad a Putin

“Estalinegrado (hoje Volgogrado) é querida a Alepo e a todas as cidades sírias. A Síria promete continuar a lutar até que os agressores sejam derrotados e a vitória final seja nossa”, escreveu Assad num telex citado pela agência de notícias síria SANA e replicado pelos meios russos.

Relatos de uma mensagem enviada por Assad a Vladimir Putin provocaram uma forte reação de Washington. O departamento de Estado norte-americano exigiu a Moscovo para “resolver com urgência esta declaração totalmente inaceitável”. “É, claramente, um esforço de Assad para impor a sua agenda, mas é responsabilidade da Rússia fazer uso da sua influência sobre este regime para manter a cessação de hostilidades”, afirmou Mark Toner, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.
(Assad compara Alepo com o ‘Dia da Vitória’
em Estalinegrado na II Guerra Mundial em mensagem para Putin.)

Com os combates no terreno também a prosseguirem a sul de Alepo, onde relatos apontam para mais de 70 mortos em confrontos que terão permitido à Frente al-Nusra e aliados islamitas tomar o controlo da localidade de Khan Tuman e de outras vilas circundantes, a Rússia foi ainda acusada de bloquear uma resolução proposta pelo Reino Unido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para condenar as ocorrências violentas em Alepo e os ataques contra civis.

“Há apenas um país que não concordou, a Rússia. Isso exprime muito sobre o apoio deles à proteção do regime de Assad”, acusou o embaixador britânico na ONU, Matthew Rycroft.