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Os robôs que salvam vidas nos Alpes

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Os robôs que salvam vidas nos Alpes

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Viemos até ao Vale de Aosta, nos Alpes italianos, para falar de vespas, falcões e burros… Mas estes não são animais comuns. Na verdade, são robôs criados no âmbito de um projeto europeu chamado SHERPA para prestar socorro nas montanhas.

Foram necessários três anos de pesquisas para que as dez entidades ligadas a esta iniciativa – universidades, sobretudo – apresentassem um resultado promissor. Como nos explica o professor Patrick Doherty, da universidade sueca de Linköping, “a ideia é desenvolver sistemas robóticos que possam providenciar assistência às equipas de salvamento nos Alpes e em toda a Europa.”

O grupo conduzido pelo professor Doherty encarrega-se dos chamados “Falcões”. É o nome atribuído a dois pequenos helicópteros que podem transportar uma carga de 30 quilos, seja água, mantimentos ou câmaras térmicas. O projeto inclui também drones, apelidados de “Vespas”, para recolher dados em pontos inacessíveis. Os socorristas locais seguem os testes de muito perto.

Segundo Adriano Favre, dos serviços de salvamento de Vale de Aosta, “um dos grandes problemas é o socorro de montanhistas ou de pessoas que vêm à procura de cogumelos, por exemplo, e depois perdem-se. As operações de busca exigem muitos meios humanos e técnicos. Ter mais um recurso a nível técnico é algo que nos pode ajudar muito. As buscas não têm de ser interrompidas quando cai a noite ou quando a visibilidade é muito má e os helicópteros não podem operar. Os drones podem.”

Os aparelhos voadores que estão a ser utilizados foram criados no Japão como ferramentas para ajudar na agricultura. Só que agora foram dotados com um elevado grau de autonomia. “Não são propriamente os humanos que operam o sistema. Nós preparamos a missão, identificamos uma determinada região e dizemos que queremos um modelo daquela área. Depois carregamos num botão e o sistema começa automaticamente a programar o scaneamento dessa mesma área”, explica-nos Patrick Doherty.

Os robustos robôs terrestres, os denominados “Burros”, funcionam como uma plataforma móvel para abastecer os drones. O professor Lorenzo Marconi, da Universidade de Bolonha, coordenador do projeto, salienta que “a intenção não é substituir o papel das equipas de socorro, mas sim ajudá-las com mais tecnologia. O Homem continua a estar no centro do projeto SHERPA, é o ‘génio’ que está por detrás, é o elemento que acumulou uma experiência que, pelo menos neste momento, as máquinas ainda não conseguem reproduzir.”

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