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Primavera Sound'16, d-1: Beak no "beat" dos LCD Soundsystem

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Primavera Sound'16, d-1: Beak no "beat" dos LCD Soundsystem

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Crédito: Primavera Sound; fotógrafo: Eric Pamies

A euronews deslocou-se este ano a Barcelona para antecipar o que de melhor o festival catalão vai prolongar até ao Porto, na próxima semana. Não deixámos, claro, de espreitar alguns dos nomes mais sonantes do apelativo cartaz catalão deste PS’16.

Num dia em que o mais esperado eram os LCD Soundsystem, em ano de regresso ao ativo após suspensão de cinco anos do projeto, abrimos a nossa digressão particular pelo Primavera Sound de Barcelona= com um dos nomes que vai passar também pelo Porto: Cass McCombs.


A fusão de estilos revelada pelo norte-americano revelou-se certeira para o final de tarde catalão: céu azul, sol e o Mediterrâneo aqui ao lado. Houve reminiscências de Jesus & Mary Chain, acordes do deserto norte-americano e soul veraneante. Na Invicta, Cass McCombs vai abrir o Palco NOS perto das 18 horas — uma escolha acertada, antecipamos desde já.

Vir ao Primavera Sound de Barcelona não é o mesmo que ir ao Porto. Aqui há que fazer muitas escolhas, tomar opções, algumas drásticas e deixar concertos a meio para não perder outros, percorrer “quilómetros” para ir dos dois palcos principais aos outros não menos importantes. O objetivo de tentar ver o máximo de nomes que vão atuar também na Invicta levou-nos até aos Car Seat Headset, o projeto de Will Toledo, da Virginia.

Punk, Rock, Indiepop e um vasto leque de referências ajudam os Car Seat Headset a “prender” o público diante do palco. Um nome incontornável “puxava-nos” para outro palco ali não muito longe: Geoff Barrow, uma das partes dos Portishead, e o seu projeto paralelo, os Beak. Escolha certeira. A surpresa do dia.

Bateria & baixo

Conhecíamos pouco do projeto, mas o impacto do baixo e da bateria destes britânicos foi imediato. Ritmo pujante, hipnótico, cativante. A boa disposição de Barrow ajuda a criar intimidade entre palco e plateia. Dançar é obrigatório. No Porto, os Beak vão atuar no palco ATP pouco depois de Cass MacCombs. Aconselhamos esta transição sem desprimor para o que se passar noutros palcos.

Acabámos por não ter muito tempo para ver os Daughter. Com muita pena. Chamavam-nos um pouco mais longe os Destroyer, projeto do canadiano Dan Bejar, antigo colaborador dos New Pornographers. Tínhamos alguma expetativa. Não confirmada. Acabou por proporcionar a pausa para a “cena” (jantar, em espanhol).

Retomámos a música com os Suuns. Os canadianos estabelecem uma fusão experimental de guitarras e dão ao Rock uma roupagem pesada e a espaços esotérica. Interessante. Partimos em direção aos renascidos A.R. Kane.

Havia a expectativa de reencontrar as raízes da música de dança nos finais dos anos 80. Gorada. Um ritmo demasiado arrastado e uma voz que mal se ouvia empurraram-nos mais cedo para os Explosions in the Sky. Os A.R. Kane em fim de noite no Porto ameaça ser demasiado frio para a Invicta.

A caminho do palco principal, fomos atraídos para um dos palcos pequenos. Atuavam os Dead Buttons, projeto da Coreia, na linha dos White Stripes (duo bateria e guitarra a rasgar). Muito interessante. Insistimos em seguir para os “Explosions” e arrependemo-nos.

O ‘hype’ de John Carpenter

Esperámos por um dos claros preferidos do público catalão, os Tame Impala. Sintetizadores, confetis e refrães orelhudos, servidos em tom de festa, fizeram as delícias da plateia. Do outro lado do recinto, preparava-se um dos nomes mais aguardados deste festival: John Carpenter — até o diretor do Primavera Sound se assume rendido ao realizador tornado músico de palco.

O famoso realizador de cinema fantástico e de terror virou-se para a música. Acompanhado do filho e de um descendente direto dos Kinks, passou para o palco, em modo banda Prog Rock, algumas das suas bandas sonoras. Carpenter junta ao tapete sonora umas notas minimalistas “sacadas” a um pequeno piano. Ninguém se impota.


Crédito fotógrafo: Xarlene

O “hype” sente-se na plateia, mas falta a este “organismo sonoro” algo mais. Algo que a constante comunicação do cineasta com o público não chega para colmatar. Fica uma música para a qual não é preciso olhar para imaginarmos outros cenários. São assim as bandas sonoras, certo?

A caminho dos anunciados “reis da noite” cruzamo-nos com os Mbongwana Star. Os congoleses, com dois vocalistas paraplégicos, evocam o Funk tribal e congregam uma plateia que ansiava por dança.

Reacendem-se os LCD

A pista de dança abriu umas centenas de metros mais a sul. James Murphy surgiu sob uma bola de espelhos e os LCD Soundsystem estavam de volta a Barcelona. Desfilaram os “hits” certeiros e quem estava perto o palco celebrou em grande. Milhares fcaram-se por ver o concerto pelos ecrãs gigantes. Foi o nosso caso.

Vimos uns bons 40 minutos da hora e meia prevista de concerto dos LCD e, em boa altura, voltámos a cruzar todo o recinto. Temos a certeza, no entanto, que no anfiteatro natural de Paredes de Coura o espetáculo dos nova-iorquinos vai ser muito melhor.

A norte, fomos fechar esta primeira noite em grande. Mesmo com problemas técnicos que nos impediam de ouvir o vocalista, os Thee Oh Sees acabaram por ser a cereja no topo do bolo. O cansaço acumulado da maratona já, então, cumprida, esbateu-se.


Dois bateristas com esquizofrenia sinfónica agarraram o público e a festa explodiu sem necessitar de confetis. Poucos, mas bons, em frente dos californianos todos dançávamos. É uma pena que o Porto não os possa ver para a semana.

Antes de deixarmos o recinto ainda espreitámos os Battles — estes, sim, vão estar na Invicta — mas embora o ritmo pedisse mais dança, o corpo já não respondia e entrava em protesto. Ainda faltam dois dias e esta sexta-feira há Radiohead.

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