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Relatório revela nova corrida às armas nucleares nos EUA e Rússia

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Relatório revela nova corrida às armas nucleares nos EUA e Rússia

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A redução das armas nucleares em todo o planeta contrasta com o investimento em novas tecnologias de dissuasão atómica nos EUA e Rússia, segundo o relatório anual do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo, SIPRI (sigla em inglês).

O anuário, publicado esta segunda-feira, sublinha a redução do ritmo do desarmamento nuclear no mundo, após a assinatura de três tratados sobre o tema desde 1991.

Longe das 70.000 armas contabilizadas no mundo após o final da guerra fria, os nove países que detêm a tecnologia da bomba atómica (EUA, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte) detinham 15.395 armas nucleares no início de 2016, 4.120 das quais mobilizadas em várias operações.

A nova “guerra fria” pós-soviética

Os autores do documento, Hans Kristensen e Shannon Kile denotam, no entanto, “uma desaceleração do ritmo da redução dos arsenais nucleares na última década, quando nem a Rússia, nem os Estados Unidos, realizaram reduções significativas das suas armas estratégicas desde a entrada em vigor do novo Tratado START”, em 2011.

No total, segundo o Instituto de Estocolmo, os nove estados “nucleares” terão neutralizado apenas 455 armas nos últimos doze meses.

A nova vaga da “dissuasão nuclear”

“Todos os estados que detêm armas nucleares continuam a dar prioridade à dissuasão nuclear como principal estratégia de segurança nacional”, afirma Shannon Kile, “a perspetiva de um avanço genuíno na redução de armas nucleares permanece sombria”.

O relatório sublinha, como exemplo, o programa de modernização do arsenal nuclear norte-americano, apresentado pela administração Obama no ano passado, e que prevê um investimento de 348 mil milhões de dólares no setor até 2024. Um valor que poderia ascender a um bilião de dólares nos próximos 30 anos.

Das cerca de 7.000 ogivas nucleares detidas pelos EUA, apenas 2500 estariam à espera de ser desmanteladas, a maioria material datado da guerra fria.

No caso russo, apontado igualmente pelo relatório, das 7.290 ogivas detidas por Moscovo, apenas 2800 deverão ser neutralizadas por pertencerem ao antigo arsenal da União Soviética. O país liderado por Vladimir Putin não abandonou, no entanto, a “corrida às armas” do passado, com o lançamento de novos projetos para poder estar à altura do arsenal norte-americano.

O relatório do SIPRI sublinha, por exemplo, que a Rússia teria atualizado e substituído metade do seu arsenal de mísseis balísticos intercontinentais, tendo desenvolvido um novo combustível – RS-28 – que permitirá melhorar a capacidade dos mísseis para penetrar os sistemas de defesa antimíssil dos EUA. Em paralelo, Moscovo lançou um programa para substituir a sua frota soviética de submarinos nucleares, tendo já construído três de oito submarinos Borei, equipados com 16 mísseis intercontinentais Bulava.

Paquistão e Índia reforçam arsenais

O estudo baseado em informação pública proveniente dos governos nacionais e da Agência Internacional de Energia Atómica, sublinha ainda a forma como a corrida ao nuclear entre a Índia e o Paquistão está longe de pertencer ao passado. Segundo o SIPRI, o Paquistão, que detém atualmente entre 110 e 130 “ogivas”, deverá aumentar significativamente o seu arsenal atómico na próxima década, quando o governo indiano (100-120 armas nucleares) anunciou o reforço do seu programa de mísseis balísticos, assim como da produção de plutónio.

Na Europa, França (300 armas nucleares) e Reino Unido (215 armas) estão longe de fugir à nova corrida à modernização do armamento nuclear. Londres anunciou no ano passado a substituição da sua frota Trident de quatro submarinos de “dissuasão nuclear”, com a construção de 4 novos submarinos Successor. Paris, por seu lado, está a modernizar a sua frota de submarinos Triomphant até 2019, quando projeta apresentar a sua nova geração de armamento nuclear até 2035.

A opacidade dos programas israelita e norte-coreano

Os dados publicados pelo SIPRI voltam, no entanto, a esbarrar na opacidade dos programas nucleares nacionais, em especial em Israel (80 armas nucleares segundo as estimativas) e na Coreia do Norte. Se Israel continua a não confirmar nem desmentir a posse de armas nucleares, os responsáveis do SIPRI sublinham a possibilidade do país poder equipar seis submarinos alemães Dolphin com mísseis de cruzeiro. Já a Coreia do Norte, que recentemente reatou o seu programa de testes nucleares, possuiria cerca de 10 bombas atómicas, segundo cálculos baseados na quantidade de plutónio produzido no reator de Yongbyon.

As conclusões do relatório do SIPRI podem ser consultadas, na íntegra, aqui .

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