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Britânicos dizem não à Europa, Cameron anuncia demissão, Escócia admite referendo

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido deverá abandonar a União Europeia.

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Britânicos dizem não à Europa, Cameron anuncia demissão, Escócia admite referendo

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Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido deverá abandonar a União Europeia. Em referendo, esta quinta-feira, 52% dos britânicos disseram “não” ao bloco europeu, que passará, de 28 para 27 Estados.

Esta manhã, o primeiro-ministro britânico anunciou a demissão e deverá deixar o cargo em outubro. “Os britânicos tomaram uma decisão clara” e “o país precisa de uma nova liderança para poder seguir na direção escolhida”, afirmou David Cameron.

Escócia e Irlanda do Norte querem ficar na UE

Os resultados do referendo puseram a nu a divisão política do Reino Unido. Enquanto a Inglaterra e o País de Gales votaram a favor da saída da UE, a Escócia e a Irlanda do Norte querem permanecer na União Europeia.

A chefe de governo da Escócia, Nicola Sturgeon, já admitiu a possibilidade de um novo referendo pela independência. O partido irlandês Sinn Fein (antigo braço político do IRA) pediu hoje um referendo sobre a unificação das duas Irlandas.

Em síntese, o “não” à Europa ganhou em Inglaterra, com 53,4% dos votos e no País de Gales, com 52,5%. Ao contrário, na Escócia, a maioria dos eleitores decidiu pela permanência na União Europeia, com 62% dos votos, tal como na Irlanda do Norte, onde 56% dos votantes são favoráveis à permanência na UE.

As reações

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou, esta sexta-feira, que o momento atual é dramático, especialmente para o Reino Unido, mas, que os 27 estão “determinados em manter a unidade”.

A chanceler alemã também pediu solidariedade entre os países da União mas foi ainda mais longe na análise dos resultados do referendo britânico. Para Angela Merkel, os cidadãos europeus “devem sentir que a União Europeia quer melhorar as nossas vidas”. Trata-se “da missão da UE e de todos os Estados-membros”, sublinhou a chanceler alemã.

Em Portugal, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o projecto europeu se mantém válido, apesar do afastamento do Reino Unido, mas, deve ser repensado e reforçado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, lamentou, esta sexta-feira, a decisão do Reino Unido e garantiu que os interesses das comunidades portuguesas naquele país serão “protegidos e defendidos”.

Os vencedores

O ex-presidente da câmara de Londres e provável sucessor de Cameron na liderança dos Tories, Boris Johnson, bateu-se pela saída do Reino Unido, tal como o líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), o eurocético Nigel Farage, que já festejou o resultado do voto, dizendo que o referendo marca o “dia da independência”.

Em França, o partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen, afirmou que se tratou da “vitória da liberdade” e propõe a realização de um referendo idêntico em França, sobre a permanência na UE e na zona euro.

Cronologia do referendo

A realização de um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia foi uma promessa de David Cameron, durante a campanha para as legislativas.

Apesar de defender a necessidade de um referendo, o primeiro-ministro britânico fez campanha pela permanência do Reino Unido no bloco Europeu, em nome dos interesses económicos do seu país.