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Uso da religião para travar golpe na Turquia "nunca visto nesta escala"

A redação de Bruxelas

Uso da religião para travar golpe na Turquia "nunca visto nesta escala"

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Para analisar o impacto na União Europeia (UE) do golpe de Estado falhado na Turquia, o correspondente da euronews, Grégoire Lory, entrevistou Marc Pierini, analista do centro de estudos Carnegie Europe, em Bruxelas.

Grégoire Lory/euronews (GL/euronews): “O que espera que aconteça nos próximos dias, na Turquia?”

Marc Pierini/analista do Carnegie Europa (MP/analista do Carnegie Europa): “Diria que, obviamente, foi um grande abalo para o poder, algo que nem os observadores estrangeiros esperavam. Levou de imediato a uma reação, a uma purga no exército. Mas há uma clara evidência que essa ação de limpeza vai para além dos militares. Daí a inquieteção no Ocidente, particularmente na Europa, com o facto de se estar a ir para além do permitido num Estado de direito e de se fortalecer o caráter autocrático do regime. Em paralelo, surgiu um outro elemento que considero totalmente novo em termos de escala: refiro-me aos esforços para recuperar o controlo na noite do golpe, em que os líderes religiosos de mais de 80 mil mesquitas do país receberam instruções da Direcção de Assuntos Religiosos para convocarem as pessoas para as ruas, por ordem do Presidente. É um sinal do recurso ao aparelho religioso para intervir na vida política de uma forma nunca vista nos últimos anos”.

GL/euronews: “O golpe poderá ameaçar as relações entre a União Europeia e a Turquia?”

MP/analista do Carnegie Europa: “No momento, diria que há uma espécie de crise de confiança porque aconteceu apenas alguns dias depois da cimeira da NATO, em Varsóvia, e num momento em que as operações contra o Estado islâmico redobraram de intensidade, principalmente por causa dos ataques em França, nomeadamente em Nice, e também na Bélgica, em março passado. Espera-se da Turquia, no momento em que a NATO lhe dá maior proteção, que tenha uma ação decisiva, sem ambivalência, em relação ao Estado Islâmico. Assim, questiona-se se vai haver um compasso de espera ou incerteza no que se refere à ação turca na coligação que luta contra o Estado Islâmico.

GL/euronews: “Será que os acontecimentos deste fim-de-semana podem pôr em causa o acordo sobre troca de refugiados assinado entre europeus e turcos?”

MP/analista do Carnegie Europa: “Penso que não, o acordo sobre os refugiados vai avançar com o seu ritmo próprio. Naturalmente, as questões levantadas pela lei anti-terrorismo turca impedem a liberalização dos vistos e não é agora que a Turquia irá aceitar rever a lei, quando também não o admitia nas últimas semanas. Essas questões são agora postas de lado. O ponto mais preocupante, muito mais crucial e que não está ligado aos refugiados, é a discussão que se tem feito nestes dias na Turquia sobre restabelecer a pena de morte. Recordo que foi eliminado em 2004, como uma das condições para a abertura de negociações com a União Europeia. Se for reintroduzida, tal conduzirá inevitavelmente à suspensão das negociações porque é um dos pilares fundamentais do conceito europeu de Estado de direito”.

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