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Itália: O bezerro que nasceu na noite do terramoto

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Itália: O bezerro que nasceu na noite do terramoto

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A localidade de Illica é uma das mais afetadas pelo sismo que abalou o centro de Itália. A equipa da Euronews falou com Sandra Piccioni que em 60 anos não se lembra de nada igual. A casa onde vivia resistiu ao sismo de magnitude de 6,2 na escala de Richter e às réplicas que se seguiram, mas os estragos estão à vista. É no carro que juntamente com o marido passa, agora, as noites porque diz que “o trabalho na quinta não pode parar.”

Piccioni: “Este é o carro onde dormimos desde quarta-feira. Equipamo-lo desta forma e tentamos passar a noite da melhor maneira possível. Não podemos sair desta quinta porque, ainda, temos vacas para ordenhar, porcos e bezerros para tratar. É aqui que vivemos e, por isso, temos de ficar.

A casa é a parte mais disfuncional da quinta. Sofreu muito com o primeiro abalo. A casa, felizmente, de um ponto de vista estrutural não desabou. Aquela é a janela do quarto onde dormia. Ouvimos um barulho como uma explosão e uma das portadas da janela caiu, só para lhe mostrar a força do impacto. Éramos seis, saímos todos a correr e a gritar. O meu marido foi à procura do nosso filho. Chamou-o e, felizmente, todos os rapazes da aldeia, ainda, estavam na rua reunidos no lugar da escola, que era o ponto de encontro. Estavam todos lá porque era o último dia de verão. O meu filho e dez outros rapazes tinham de ir para Roma para apanhar um voo para Lisboa onde iam passar uma semana de férias. Tiveram sorte.
Aquela casa ali era a casa verde. Estava cheia de pessoas porque havia quatro irmãos a viver lá. Estavam todos a gritar e duas pessoas morreram.

Olhe para este guarda-roupa! Parece que se mexeu, mas na verdade, foram as paredes que recuaram. Provocou uma espécie de efeito bomba, ouvimos o entulho a cair e um forte estrondo no final.”

Raquel: É perigoso ficar aqui?

Piccioni: “Sim, é perigoso.”

Piccioni: “Aqui está o meu marido a ordenhar uma vaca. Este é um trabalho que não podemos deixar de fazer. Tem de ser feito de manhã e à noite, independentemente, do que quer que aconteça. Agora vou mostra-lhe algo muito bonito: este bezerro nasceu na quarta-feira. Vamos chamar-lhe terramoto, para nos lembrar que a vida continua para além da morte e da destruição. Há sempre um lado positivo, mesmo nas coisas más. Pode parecer uma banalidade, mas temos de aceitar as coisas como elas são.”

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