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ONU contra proibições do burquíni

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou as proibições decididas em França.

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ONU contra proibições do burquíni

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A ONU entrou no debate sobre o burquíni em França. O Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas criticou a decisão de alguns municípios franceses de proibir, nas praias, o fato completo usado, sobretudo, por mulheres muçulmanas.

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"Marianne é o símbolo da República. Tem um dos seios descoberto porque alimenta o povo e não usa véu porque é livre. É isso a República."

Manuel Valls Primeiro-Ministro de França

Para a ONU, a desculpa da segurança e da luta antiterrorista não faz sentido. O porta-voz do Alto Comissariado foi duro nas palavras: “Esta é uma reação estúpida em relação aos ataques terroristas. Não faz nada para aumentar a segurança e não melhora a ordem pública em nada. Tudo o que faz é estimular as fricções, logo, é nociva à ordem pública e é contraproducente”, disse Rupert Colville.

O Conselho de Estado, mais alta instância constitucional em França, rejeitou a proibição num dos municípios, o que deve abrir um precedente.

O primeiro-ministro Manuel Valls insiste em apoiar a proibição e até faz um paralelo com Marianne, o símbolo da República Francesa: “Já que discutem o tema – e ainda bem que o fazem – e falam de Marianne, Marianne é o símbolo da República. Tem um dos seios descoberto porque alimenta o povo e não usa véu porque é livre. É isso a República. Assim é Marianne e é isso que devemos enaltecer”, disse num comício do Partido Socialista em Colomiers.

O burquíni entrou também no debate para as presidenciais do próximo ano. À direita, Nicolas Sarkozy quer um alargamento das interdições. Já o adversário Alain Juppé diz que não deve haver aproveitamentos do tema e uma proibição a nível nacional não seria a melhor resposta.