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Alegria no trabalho à moda alemã


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Alegria no trabalho à moda alemã

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O Insiders lançou um desafio: atravessar a Alemanha para encontrar quem se sinta realmente realizado com o trabalho que faz…

A primeira paragem é Harsewinkel, conhecida como a “cidade das colheitas”. Tem 24 mil habitantes.

A empresa que pertence a todos

A Claas é uma das líderes de mercado na colheita de cereais, dando emprego a mais de 11 mil trabalhadores no mundo inteiro. Foi a família Claas que a fundou em 1913. Em 1984, decidiu que os empregados podiam comprar ações da companhia. A adesão foi massiva.

Os trabalhadores podem investir anualmente até 1200 euros. Ao todo, já foram aplicados cerca de 40 milhões de euros. Através da plataforma digital Kununu, os operários podem avaliar as suas condições de trabalho, atribuindo estrelas de acordo com o grau de satisfação com a própria empresa: a pontuação máxima é de 5 estrelas.

A apreciação tem sido bastante positiva em fatores como a gestão, o trabalho de equipa, o ambiente no local de trabalho, a comunicação interna, a igualdade, as oportunidades de progressão e a evolução dos salários.

Jochen Thiäner é especialista em mecânica de precisão. Começou a comprar ações logo que entrou nesta empresa, aos 17 anos. “Os meus pais conheceram-se e apaixonaram-se na Claas. Depois, casaram-se. Quando era adolescente, comecei a interessar-me pelo lado técnico disto. Fiz um estágio aqui. Sou mecânico de precisão. O meu pai já comprava acções da companhia e eu comecei também. Faz-se bom dinheiro. Nos últimos dez anos, a média de rendimento dos juros andou à volta dos 12%”, conta-nos.

Be happy, work the German way! Part 1

O dinheiro investido fica cativo durante nove anos. No final desse período, a maioria dos trabalhadores decide voltar a aplicar outra tranche.

Peter Göth é um dos responsáveis pela gestão da Claas. Salienta que, para além reforçarem os ativos, os investimentos dos empregados consolidam os laços com a empresa. “Mais de 70% dos trabalhadores participa neste modelo financeiro, o que comprova a confiança que depositam na companhia, uma vez que estão dispostos a aplicar o próprio dinheiro. Desde o início que a ideia é possibilitar-lhes a copropriedade”, afirma.

“Temos de nos livrar de tudo o que polui a nossa cabeça”

Fomos até Berlim conhecer a sede do grupo Cortado. Aqui é o diretor que prepara ovos mexidos pela manhã para o pequeno-almoço dos especialistas em informática que trabalham com ele. A Cortado começou como uma startup com quatro pessoas por detrás de uma ideia: tornar as impressoras mais eficientes. Hoje em dia, conta com duas centenas de funcionários. A boa-disposição parece ser uma constante neste local de trabalho.

Alexander Bernhardt é o responsável pelas vendas e distribuição. Uma vez por semana, dá formação pela internet a clientes do mundo inteiro. Para além doutras tarefas, reserva parte do tempo a fazer o que bem lhe apetece… “Não devemos levar as coisas muito a sério. Levem o cartaz do vosso filme favorito para o trabalho, encham a secretária com os vossos heróis preferidos. Mostrem a vossa personalidade, porque é assim que o trabalho em conjunto se torna mais relaxado. Temos de nos livrar de tudo o que polui a nossa cabeça e pensar livremente, sem amarras”, salienta.

E no que diz respeito à avaliação das condições de trabalho? Gestão, trabalho de equipa e ambiente entre os colegas têm uma boa classificação, mas as notas mais elevadas vão para a igualdade de género e as relações com os colegas seniores. Os resultados mais fracos correspondem às oportunidades de carreira e à evolução salarial.

Be happy, work the German way! Part 2

Sven Huschke, o diretor financeiro, realça que “numa hierarquia horizontal é fácil comunicar com o chefe. É uma das grandes vantagens aqui: o feedback é constante e sincero.”

Alexander mostra-nos os matraquilhos e videojogos disponíveis para relaxar. A confiança é outro fator-chave para motivar os trabalhadores deste grupo. Os funcionários têm o direito de trabalhar onde quiserem se precisarem de mudar de cenário e inspirar-se noutras coisas. “A criatividade dispara se tivermos a oportunidade de escolhermos nós próprios os horários e o local de trabalho”, garante Alexander.

Tanto a Claas como o Cortado já foram distinguidos pela Associação Alemã de Participação de Trabalhadores.

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