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Grécia: Cresce a tensão entre residentes e refugiados na ilha de Lesbos


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Grécia: Cresce a tensão entre residentes e refugiados na ilha de Lesbos

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Há já mais de um ano que centenas de refugiados chegaram à ilha grega de Lesbos. Desde o acordo entre a União Europeia e a Turquia – em Março de 2016 – a situação estabilizou-se mas cerca de 6 mil estão ainda em Lesbos, sem possiblidade de se registarem e sem autorização para chegarem ao continente como antes do acordo.

O ambiente é muito tenso. A solidariedade ainda funciona, mas as condições são muito difíceis para os migrantes. E estes estão muito preocupados como a forma como as coisas se vão desenrolar para eles.

“Há muito tempo que me dei conta dos riscos que envolve este acordo UE-Turquia. A essência é o encarceramento das pessoas e isto não pode continuar. Já começa a haver uma grande tensão não só entre os refugiados mas também entre a população local. Já há vozes a protestarem e a tentarem agitar as águas. É preciso descongestionar a zona o mais depressa possível, diria mesmo, imediatamente”, afirma o presidente da câmara de Lesbos, Spyros Galinos.

O maior problema situa-se no campo de Moria, onde estão cinco mil pessoas. Roland Schönbauer, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, afirma:
“Na Grécia ainda vemos um elevado sentido de hospitalidade e compreensão com a situação dos refugiados. Talvez porque muitos gregos ainda se lembram os seus antepassados que também foram refugiados”.

No Inverno passado, para se aquecerem, os migrantes acenderam lumes., que acabaram por dar origem a um incêndio, que foi controlado, mas destruiu olivais com mais de 200 anos, em propriedades privadas. Pertenciam a residentes na aldeia de Moria, que não estão satisfeitos, porque a aldeia recebeu mais refugiados do que pode suportar.

“Nós acolhemos todos os refugiados, todos da mesma forma. Mas estas pessoas vêm para aqui para terem uma vida melhor. Tentam viver, mas estão aqui encurraladas. Isto cria tensão na comunidade local. Onde é que isto vai chegar? Isto tem que acabar”, interroga-se o presidente da aldeia, Nikos Trakellis.

Stavros Myrogiannis, responsável do campo de Kara Tepe criado para acolher só famílias e pessoas mais vulneráveis, não esconde a ira:
“Estamos furiosos com as pessoas que decidiram atirar 6000 pessoas para Lesbos, 3000 para Samos, 3000 para Chios e as deixaram aqui. Isto não é um armazém de almas e ninguém tem o direito de transformar a Grécia e Lesbos numa coisa destas. Nós, não vamos deixar que isso aconteça. Não vamos permitir que isso aconteça”.

Anthi trabalha num jornal em Lesbos e também é correspondente de alguns jornais nacionais. No dia 19 de setembro, quando houve um incêndio em Moria, tentou ajudar duas mulheres sírias e os filhos, que foram atacados por alguns homens da localidade. O caso provocou a intervenção do sindicato local dos jornalistas, que tornou oficial o que muita gente sabe: os profissionais são sistematicamente atacados por fanáticos e pseudo-jornalistas.

“Mesmo nós os jornalistas estamos a passar por situações extremas. Houve ataques contra os nossos colegas durante a manifestação dos residentes de Moria e também na altura do incêndio de Moria”, conta.

O correspondente da Euronews, Panos Kitsikopoulos, faz o ponto da situação: “Os residente de Mytilene não negam os seus deveres humanitários. O que pedem é que a aldeia seja aliviada da pressão a que está submetida desde há um ano. Contudo, vendo que o governo de Atenas não está a fazer nada para resolver a situação, o descontentamento cresce em simultâneo com a propaganda e a agitação de uma fação minoritária”.

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