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Ida de Barroso para Goldman Sachs foi "insensata", mas legal


A redação de Bruxelas

Ida de Barroso para Goldman Sachs foi "insensata", mas legal

José Manuel Barroso foi insensato, mas não violou as regras dos Tratados da União Europeia ao aceitar o cargo de presidente não-executivo de uma subsidiária do banco Goldman Sachs.

O comité de ética ad hoc da Comissão Europeia anunciou, esta segunda-feira, que o ex-presidente desta instituição “não demonstrou a sensatez que se poderia esperar de alguém que ocupou o cargo de presidente durante tantos anos”.

Contudo, o comité considera que Barroso não violou os deveres de integridade e discrição.

Isto porque o ex-presidente assumiu o compromisso, numa carta de explicações, datada de 18 de setembro, de que não iria desempenhar o papel de “representante de interesses” do banco junto das instituições europeias.

Barroso garantiu, ainda, que não vai ocupar-se do dossiê Brexit, apesar de tal ter sido amplamente noticiado.

Como tal, o ex-presidente não incorre em sanções financeiras, como pediam petições contra ele apresentadas.

A falta de sensatez, que “causou danos à reputação da Comissão Europeia”, é justificada pelo comité pelo facto do banco norte-americano ser visto como “o expoente de um banco de investimento agressivo”, particularmente criticado pelo seu papel no despoletar da crise financeira e por ter ajudado a ocultar as contas da verdadeira dívida da Grécia.

De recordar que vários líderes europeus, incluindo o atual presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, e o Presidente da França, François Hollande, criticaram a escolha deste banco em particular.

Funcionários e reformados das instituições europeias recolheram mais de 150 mil assinaturas numa petição a pedir medidas contra Barroso e uma revisão da legislação em curso, a que se juntaram mais de 60 mil de outra petição organizada por um grupo de organizações não governamentais.